Curta nossa página


Entrevista/Paula Belmonte

‘Buriti é local de trabalho, não de lazer’

Publicado

Autor/Imagem:
Pimenta Filho - Foto Divulgação

Candidata ao Governo do Distrito Federal, Paula Belmonte (PSDB) se apresenta ao eleitor como uma alternativa ao grupo político que atualmente comanda o DF. Em entrevista a Notibras, a deputada distrital reforçou a independência de sua trajetória política, colocou o combate à corrupção entre as principais bandeiras da campanha e afirmou que pretende construir um governo baseado em honestidade, transparência e cuidado com as pessoas.

“Eu não faço parte desse grupo e nunca fiz. Como deputada federal e deputada distrital, sempre fui uma deputada independente”, afirmou Paula, ao explicar o que considera ser uma das principais diferenças entre sua candidatura e o projeto político representado pelo ex-governador Ibaneis Rocha.

Paula sustenta que seu Plano de Governo tem como eixo central o cuidado com as pessoas e a defesa da dignidade humana. Na saúde, considera indispensável enfrentar inicialmente a carência de recursos humanos. Para ela, hospitais e unidades básicas precisam contar com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e equipes em número suficiente para atender adequadamente a população.

Ao mesmo tempo, defende uma ampla integração e digitalização do sistema de saúde do Distrito Federal. A candidata cita como exemplo a dificuldade de comunicação entre prontuários produzidos em UPAs, hospitais e UBSs. A implantação de um prontuário único, segundo ela, permitiria acompanhar melhor cada paciente e dar maior eficiência ao atendimento.

Na educação, Paula afirma que propostas repetidas durante campanhas precisam finalmente sair do discurso e se transformar em políticas públicas. Ela chama atenção para escolas que ainda enfrentam problemas estruturais e defende a valorização e a qualificação permanente dos professores.

A candidata também é favorável à educação integral, mas ressalta que o conceito não pode significar simplesmente manter crianças por mais tempo dentro das escolas. Para ela, a ampliação da jornada precisa vir acompanhada de qualidade, atividades adequadas e conteúdo capaz de contribuir efetivamente para a formação dos estudantes.

Outra prioridade é a primeira infância, associada à segurança alimentar nas escolas e à retomada do ensino profissionalizante. Paula lembra que estudou em escola pública e teve contato, em sua época, com esse modelo de formação. Agora, pretende recuperar essa oportunidade, sobretudo para os jovens que precisam encontrar um caminho mais rápido entre a escola e o mercado de trabalho.

Na segurança pública, a candidata defende recomposição dos efetivos e maior utilização de tecnologia e inteligência. Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e demais órgãos, afirma, precisam atuar de forma integrada.

Paula alerta que organizações criminosas já atuam em Brasília e sustenta que o enfrentamento exige policiais nas ruas, inteligência, integração entre as forças e investimento tecnológico. O objetivo, diz, é devolver à população a sensação de segurança em todas as regiões do Distrito Federal.

Independência como bandeira
Ao falar sobre sua trajetória, Paula Belmonte recorda que jamais imaginou entrar para a política. Mãe de seis filhos, ela perdeu um deles em um acidente dentro de casa. A tragédia mudou sua vida e a aproximou do trabalho com crianças e jovens. Foi nesse processo que recebeu o convite para ingressar na atividade política, segundo ela, para representar justamente crianças que ainda não possuem título de eleitor.

“Eu não entrei na política para me servir dela. Entrei para servir à população e mostrar que é possível fazer política com honestidade, compromisso, princípios e valores”, afirma.

É nesse ponto que Paula procura estabelecer uma linha divisória entre sua candidatura e os grupos que comandaram o Distrito Federal nos últimos anos. Diz que manteve postura independente tanto durante o mandato de deputada federal quanto na Câmara Legislativa e pretende transportar essa independência para o Palácio do Buriti.

A candidata reconhece, porém, que ainda precisa tornar seu nome mais conhecido entre os brasilienses. Por isso, pede que o eleitor procure conhecer sua trajetória e o trabalho desenvolvido durante os mandatos.

“Quero mostrar que a honestidade tem valor, que a integridade tem valor e que podemos mudar o destino do Distrito Federal”, diz.

Para enfrentar adversários que dispõem de estruturas políticas maiores, Paula aposta na aproximação direta com a sociedade e cita aliados que considera importantes, entre eles o ex-senador Reguffe, além de seu candidato a vice, o juiz Everardo, e Guto Felício, candidato do PSDB ao Senado.

Ela rejeita a divisão do eleitorado por cores partidárias ou campos ideológicos. “Não estamos falando de azul, vermelho ou amarelo. Estamos falando do povo de Brasília.”

Paula define sua “verdadeira coligação” como aquela construída com a população — da dona de casa à mãe atípica, passando pelo trabalhador que enfrenta diariamente horas dentro do transporte coletivo para chegar ao emprego e retornar para casa.

População em situação de rua
Outro tema que Paula pretende colocar entre as prioridades de um eventual governo é a população em situação de rua. Para ela, a questão exige humanidade, mas também responsabilidade e atuação integrada do poder público.

A candidata considera necessário preservar o direito de ir e vir e a segurança de todos, sem ignorar que quem vive nas ruas está submetido a condições extremas de vulnerabilidade.

Ela observa que não existe uma solução única. Há dependentes químicos, idosos, pessoas doentes e indivíduos submetidos a diferentes circunstâncias sociais e familiares. Por isso, defende busca ativa e integração entre saúde, segurança pública, assistência social, educação e Conselho Tutelar.

A questão, em sua avaliação, não pode ser resolvida simplesmente retirando pessoas de determinado ponto da cidade. “Quando a pessoa sai da rua, ela vai para onde?”, questiona.

Paula defende acolhimento temporário e políticas que permitam reconstrução da autonomia. Também rejeita ações que apenas transfiram pessoas em situação de rua de uma região para outra, deslocando o problema para comunidades que já enfrentam vulnerabilidades sociais.

Tecnologia para quem depende do SUS
A incorporação de novas tecnologias à rede pública é outra proposta defendida pela candidata. Paula cita especificamente a cirurgia robótica e rejeita a ideia de que seja necessário escolher entre suprir carências básicas e modernizar o SUS.

“Por que precisamos escolher um ou outro? Por que a população que depende do SUS não pode ter acesso ao que existe de melhor?”, questiona.

Segundo Paula, a cirurgia robótica não substitui médicos ou demais profissionais. Ao contrário, depende de equipes qualificadas e pode, em determinados procedimentos, proporcionar recuperação mais rápida, reduzir o período de internação e diminuir complicações.

Ela recorda que, quando exerceu mandato de deputada federal, destinou recursos para a saúde, inclusive para a estrutura da Unidade da Criança e do Adolescente do Hospital Universitário de Brasília.

“É dinheiro público e precisa voltar para a população em forma de atendimento”, afirma.

A proposta, segundo ela, é fortalecer o SUS simultaneamente em três frentes: profissionais, estrutura e tecnologia.

Gestão com humanidade
Paula Belmonte também procura responder às dúvidas sobre sua experiência administrativa. Ela lembra que é administradora, foi empresária e acumula oito anos de vida pública, inicialmente como deputada federal e posteriormente como deputada distrital.

Essa trajetória, afirma, permitiu conhecer os dois lados do balcão: o de quem trabalha, empreende, paga impostos e enfrenta a burocracia e o de quem conhece por dentro a estrutura do Estado.

Para Paula, cuidar das pessoas exige mais do que discurso. Significa gestão, planejamento, definição de prioridades e responsabilidade com o dinheiro público.

Em sua avaliação, o Distrito Federal dispõe de recursos. O desafio está em fazer com que o dinheiro chegue ao destino correto e seja convertido em médico no hospital, professor valorizado, segurança nas ruas, transporte funcionando e serviços públicos de qualidade.

“Quero levar para o governo essa visão de gestão, mas sem perder a humanidade. Porque número é importante, orçamento é importante, indicador é importante, mas do outro lado sempre existe uma pessoa esperando que o Estado funcione”, resume.

Um Vale do Silício em Brasília
Na economia, Paula acredita que Brasília precisa reduzir sua dependência histórica do setor público. Para isso, aposta principalmente em tecnologia, inovação e atração de novos negócios.

Ela lembra que o Distrito Federal reúne universidades, conhecimento, mão de obra qualificada e localização privilegiada, mas ainda não conseguiu transformar plenamente essas vantagens em emprego e renda.

A proposta é criar um ambiente no qual o empreendedor veja o governo como parceiro, e não como obstáculo. Isso envolveria desburocratização, facilidades para pequenos empresários, estímulos ao crédito e à inovação e criação de condições para atrair empresas.

Paula também defende que as políticas de desenvolvimento considerem a vocação econômica de cada região administrativa, evitando a concentração das oportunidades no Plano Piloto.

Sua ambição é transformar Brasília em um grande polo tecnológico, comparável, guardadas as proporções, ao Vale do Silício norte-americano.

O foco estaria principalmente nos jovens. Para Paula, emprego significa mais do que renda: representa dignidade, perspectiva de futuro, redução das desigualdades e menor dependência das famílias em relação ao Estado.

Começar pelas crianças
A defesa da infância ocupa espaço especial no discurso da candidata e está diretamente ligada à sua própria história.

“É na infância que nós temos a maior oportunidade de mudar uma vida”, afirma.

Paula argumenta que, quando o Estado acompanha uma criança desde os primeiros anos, oferecendo saúde, alimentação, educação, proteção e apoio à família, não está apenas modificando uma trajetória individual, mas interferindo positivamente no futuro de toda a sociedade.

Por isso, defende acompanhamento desde a primeira infância, acesso a creches, educação de qualidade e uma trajetória que permita ao jovem chegar à formação profissional e ao mercado de trabalho.

“Eu não quero um governo que apareça apenas quando o problema já aconteceu. Quero um governo que cuide antes, que previna e que dê oportunidade.”

Ao final, Paula Belmonte apresenta sua candidatura como uma oportunidade de mudança no Distrito Federal. Aos 53 anos, afirma que pretende levar ao Palácio do Buriti uma política baseada no cuidado com as pessoas, na dignidade humana e na honestidade.

Reforça o apoio do ex-senador Reguffe, a quem considera uma referência, e pede ao eleitor a oportunidade de mostrar que é possível mudar os rumos da capital.

“Quero governar o Distrito Federal cuidando das pessoas, com honestidade e dignidade”, conclui.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.