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Moeda política

Buriti segura o leme ou o BRB naufraga de vez

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Autor/Imagem:
José Seabra - Foto de Arquivo

A desistência da Quadra Capital de participar da engenharia financeira destinada a absorver cerca de R$ 15 bilhões em ativos ligados ao caso Master muda completamente o cenário do Banco de Brasília. Mais do que o fracasso de uma negociação, ela retira da mesa a principal alternativa privada para reduzir a pressão sobre a instituição. Agora, o leme está definitivamente nas mãos do Palácio do Buriti.

Poucos agentes do mercado financeiro acreditavam que aquele negócio prosperaria. Não porque a Quadra seja uma gestora desconhecida, mas porque a dimensão da operação parecia incompatível com sua capacidade financeira. O anúncio do encerramento das negociações apenas confirmou o ceticismo que já predominava entre especialistas.

A partir deste momento, o Governo do Distrito Federal deixa de ser mero espectador e passa a ocupar o centro da crise. Como acionista controlador do BRB, cabe-lhe demonstrar que possui condições de preservar a solidez do banco, restaurar a confiança do mercado e afastar qualquer dúvida sobre sua capacidade de enfrentar uma eventual pressão de liquidez.

O mercado financeiro não costuma perdoar hesitações. Bancos vivem de confiança. Enquanto ela existe, depósitos permanecem, investidores renovam aplicações e operações seguem seu curso. Quando a confiança se deteriora, instala-se um círculo vicioso que nenhuma instituição deseja enfrentar.

É justamente por isso que o silêncio ou a demora em apresentar um plano consistente podem custar caro. O Distrito Federal dispõe de um Tesouro reconhecido por sua capacidade fiscal e, em tese, possui instrumentos para socorrer seu banco caso isso venha a ser necessário. A questão, porém, deixou de ser apenas financeira. Tornou-se política.

O governo precisa convencer simultaneamente o Banco Central, os investidores, os correntistas e a população de que existe um rumo seguro. Quanto mais tempo essa resposta demorar, maior tende a ser a especulação em torno do futuro da instituição.

Ninguém deseja que o BRB caminhe para uma situação extrema. Mas é impossível ignorar que a legislação prevê mecanismos para instituições financeiras que eventualmente se tornem inviáveis. Entre eles estão a liquidação extrajudicial, conduzida pelo Banco Central, ou processos de reorganização que podem culminar em federalização ou incorporação por outra instituição, após criteriosa avaliação patrimonial. São hipóteses previstas no ordenamento do sistema financeiro, não previsões sobre o destino do BRB.

Também não se pode descartar, em um cenário de saneamento patrimonial, a venda do controle para um banco privado interessado. Mas qualquer comprador exigirá clareza absoluta sobre o tamanho dos riscos e das contingências antes de colocar um único real sobre a mesa.

Enquanto essas alternativas permanecem apenas no campo das possibilidades, uma certeza já se impõe: a responsabilidade política pela condução da crise pertence ao controlador da instituição. E esse controlador é o Governo do Distrito Federal.

Para a governadora Celina Leão, o desafio ultrapassa os limites da administração bancária. Entrando em um ano eleitoral, a forma como o governo conduzir essa travessia poderá influenciar diretamente a percepção de sua capacidade de gestão. Se conseguir preservar a estabilidade do BRB, demonstrará liderança diante de uma das maiores crises financeiras da história recente do Distrito Federal. Se, ao contrário, permitir que as incertezas se prolonguem e a confiança continue se deteriorando, a oposição encontrará um discurso pronto para questionar sua condução administrativa.

Na política, como na navegação, tempestades podem ser enfrentadas. O que costuma levar um barco ao fundo não é apenas a força das ondas, mas a incapacidade de quem segura o leme de escolher a rota certa no momento decisivo. É exatamente esse momento que o BRB e o Palácio do Buriti vivem agora.

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José Seabra é CEO fundador de Notibras

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