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Evolução do Ser

Caibalion e os sete princípios da verdade

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Autor/Imagem:
Giovanni Seabra - Foto Editoria de Artes/IA

O Caibalion é um grimório associado à tradição hermética e aos princípios universais do conhecimento espiritual e da evolução do Ser. Assinado pelos enigmáticos “Três Iniciados”, a obra foi publicada em 1908, nos Estados Unidos.

A palavra Caibalion é uma adaptação moderna da ideia de “tradição recebida” ou “ensinamento transmitido”, que remete ao caráter iniciático da sabedoria hermética, herdada do Mago Egípcio Hermes Trimegisto, o Três Vezes Grande.

No esoterismo cristão, a leitura Patrística é o método de interpretação das Escrituras, da teologia fundamentada nos escritos dos Padres da Igreja (Patres Ecclesiae), pensadores cristãos dos séculos II a VIII, como Orígenes, Clemente de Alexandria, Agostinho, Gregório de Nissa e Irineu de Lyon. Esses autores buscaram compreender o Cristianismo à luz da filosofia antiga, da tradição bíblica e da vivência espiritual, articulando fé, razão e simbolismo.

A abordagem patrística reconhece múltiplos níveis de sentido no texto sagrado, princípio conhecido como sensus plenior, ou seja, sentido mais pleno. A finalidade última é a transformação interior da alma e a reintegração do ser humano a Deus.

A leitura patrística torna-se relevante por seu caráter iniciático e simbólico. Autores como Orígenes e Clemente afirmavam que os mistérios mais profundos da fé não se revelam de forma imediata, mas exigem purificação, disciplina interior e amadurecimento espiritual. Assim, a leitura patrística aproxima-se da tradição hermética ao compreender o conhecimento como caminho de iluminação (gnosis) e não apenas como informação doutrinária.

Os sete princípios herméticos apresentados no Caibalion — Mentalismo, Correspondência, Vibração, Polaridade, Ritmo, Causa e Efeito e Gênero — dialogam com tratados herméticos clássicos, ao afirmar que o Universo é essencialmente mental e governado por leis espirituais.

O Princípio do MENTALISMO (“O Todo é Mente”) remete à Inteligência divina que estrutura o cosmos e ilumina a mente humana. A parábola do semeador (Mt 13:3–9) ilustra esse princípio: a Palavra (Logos) atua primeiro no plano mental e espiritual antes de frutificar na matéria.

Segundo o Princípio da CORRESPONDÊNCIA, O verdadeiro gnóstico conhece as coisas celestes através das terrestres, de acordo com o axioma hermético “o que está em cima é como o que está embaixo”. Jesus reforça essa lógica na oração do Pai-Nosso (Mt 6:10) e na parábola do Reino dos Céus.

O Princípio da VIBRAÇÃO está associado ao Espírito Santo, compreendido como energia vivificante. Agostinho descreve o Espírito como amor em movimento, vínculo dinâmico entre Deus e a criação. A parábola do vento em (Jo 3:8), “O vento sopra onde quer…” expressa essa dimensão vibratória e invisível do divino.

O Princípio da POLARIDADE é central na teologia cristã — luz e trevas, o bem e o mau, vida e morte. Agostinho insiste que o mal não é substância, mas privação do bem, ideia compatível com a visão hermética de opostos como graus de uma mesma realidade. A parábola do filho pródigo (Lc 15:11–32) ilustra a passagem de um polo de afastamento para outro de reintegração.

O Princípio do RITMO universal se manifesta nos fenômenos de fluxo e refluxo, sístole e diástole cardíacos, no sob e desce, nos pêndulos, nos ciclos litúrgicos e nos cantos e orações. A pedagogia divina nos ensina que Deus educa a alma “por etapas e tempos apropriados”. As parábolas da figueira (Mt 24:32) e das dez virgens (Mt 25:1–13) ensinam a leitura espiritual do tempo, da espera e da maturação.

O Princípio de CAUSA E EFEITO reflete claramente a ética cristã. Jesus declara: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16). Agostinho relaciona essa lei à justiça divina, onde cada ato humano participa da ordem cósmica estabelecida por Deus. A parábola do Rico e Lázaro (Lc 16:19–31) evidencia as consequências espirituais das escolhas terrenas.

Por fim, o Princípio de GÊNERO é interpretado no Cristianismo esotérico como a união do Logos (Cristo) e da Sophia (Sabedoria divina). A parábola da Pérola de Grande Valor (Mt 13:45–46) simboliza essa busca pela integração plena do princípio divino na consciência humana. Empregar uma leitura patrística ao analisar os princípios do Caibalion e sua relação com o Cristianismo significa reconhecer a continuidade entre a sabedoria ancestral e o Evangelho, interpretando os textos bíblicos como mapas simbólicos do processo espiritual humano.

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Giovanni Seabra
Grão-Mestre do Colégio dos Magos e Sacerdotisas
@giovanniseabra.esoterico
@colegiodosmagosesacerdotisas

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