Curta nossa página


Farsa rodoviária

Caminhar e cantar nem sempre é próprio da democracia

Publicado

Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo

Embora raramente percebido ou entendido, o mistério do Cerrado finalmente foi desvendado. E logo por ele, o menino maluquinho, aquele que de bobo não tem nem o complexo de grandeza. Mercador da fé e da ingenuidade de um povo que parece ter vendido a alma aos multiplicadores da bandalheira, o deputado extremista Nikolas Ferreira (PL-MG) tentou acordar o Brasil exclusivamente para catapultar sua provável candidatura ao Senado em outubro. A Presidência, como já antevê o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez seja algo para o próximo século.

Por enquanto, o máximo que o doidivanas das Alterosas conseguiu foi acordar o Deus do Raio, cuja mira, comprovadamente, não é das melhores. Com todo respeito às vítimas, mas Zeus errou feio no alvo. Se realmente depender de Nikolas, Jair Bolsonaro, o suposto beneficiário da caminhada do sorriso amarelo, mofará na Papudinha. E com toda justiça do mundo. Como só existe malandro porque existem manés, o menino da caminhonete vermelha movimentou menos incautos do que chegou a imaginar. De qualquer maneira, o principal objetivo foi alcançado.

Apesar do raio que quase o partiu e do desastre de público, ele faturou na mídia um espaço que não teria nem em 150 anos de mandato. O que ele jamais conseguirá é dobrar Xandão. Ou seja, o ex-presidente Jair Messias continuará preso até que o raio caia novamente sobre a Praça do Cruzeiro, morada solene e eterna de Juscelino Kubistchek, o homem que viu raiar o primeiro sol da Capital da República. Como seria produtivo se, a exemplo de JK, Nikolas tivesse coragem para promover uma caminhada em defesa de um projeto que ajudasse o povo a sair da miséria.

Não falo contra Nikolas por inveja ou para gastar energia represada. Nunca ter sido condenado por corrupção não é um predicado, mas obrigação de todo homem público. Portanto, não ter roubado não significa integridade política. Ser íntegro politicamente é muito mais do que apenas se posicionar contrária e publicamente a um adversário declarado. Na verdade, o adversário nem é dele, mas de seu suposto ídolo. Defender a saúde e a segurança pública e apresentar propostas de interesse dos mais necessitados é muito mais legítimo e importante do que se revoltar porque eventual proteção a bandidos foi vetada pelo presidente da República.

Independentemente das diferenças, trabalhar pelo país e pelo povo é o maior exemplo de democracia. Que me perdoem os fanáticos, mas não foi isso que fez o “bolsonarista” Nikolas Ferreira ao propor um passeio rodoviário somente para aparecer. É claro que, em um Estado democrático, seja de quem for, qualquer manifestação política é justa. A de Nikolas seria não fosse a farsa. Caminhar em benefício próprio sobre uma caminhonete da moda, com pernoites em hotéis de luxo e churrasco à vontade faria bem até aos milhões de brasileiros que saem de casa às 4 horas da madrugada e só voltam às 22 horas.

Farsa maior é achar que o ex-presidente Bolsonaro é um santo. Obviamente que Nikolas não acha. Por isso, a necessidade de mostrar ao Brasil e ao mundo que os falsos democratas trocam suas prioridades, isto é, usam dois pesos e duas medidas quando a conveniência exige intolerância ou convergência. E nisso eles são craques. Michelle e os filhos do Jair que o digam. Ficaram longe da “caçada” a Xandão. Uma pena que, além dos vídeos produzidos durante a fornida e acalentada “maratona”, o deputado terá pouco para contar a seus pares no retorno dos trabalhos da Câmara Federal. Considerando que o trabalho dos deputados é tão árduo como foi a “caminhada” do parlamentar mineiro, nada mais justo que estejamos à beira da falência política, econômica e administrativa. Com ou sem temporal e certamente sem raio, outubro nos salvará.

………

Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.