Causa e efeito
Campanha presidencial terá marca do conhecimento contra a ignorância
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A polêmica criada a partir do enredo da rebaixada Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula da Silva entrou pelos anais do bolsonarismo e de lá não deve sair tão cedo. Chegados ao sofrimento, os que se sentem adjetivados quando são chamados de gado reclamam porque sabem que a força de seu candidato presidencial está por um fio. Ou seria por uma lata de conservas? Uma ou outra, o que seria apenas uma narrativa histórica novamente elevou a temperatura e se transformou em uma batalha carregada de más intenções do bem contra o mal.
Considerando o DNA dos que tentaram tudo para impedir o desfile, ficou claro para a maioria do povo brasileiro que, ao judicializar a questão, a oposição assumiu que o conflito não é entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância. A quem caberá a vitória? Ainda é cedo para divagações sobre resultados. Entretanto, considerando que aquilo que se faz conscientemente pelo bem de todos está sempre acima do bem e do mal, não é tão difícil conjecturar sobre o vencedor.
A batalha está apenas no começo. Estrebuchar faz parte do modus operandi daqueles que adoram brincar com a honra e com as escolhas alheias, mas detestam brincadeiras com suas asneiras mais comuns. Para eles, é chato perceber que milhões de brasileiros viram, in loco ou ao vivo e em cores, as piores referências a Jair Bolsonaro enjaulado, apresentado ao distinto público de formas variadas, inclusive por meio de boneco enjaulado. Não menos engraçado foi a apresentação da tradicional família de bolsonaristas em latas de conserva.
Embora os conservadores radicais e arcaicos não entendam, todas as imagens apresentadas são artes. Por mais grosseiras que possam parecer, elas jamais deixarão de ser arte. Nada tão mesquinho, mordaz e palhaço do que defender o direito dos trabalhadores e a morte de pobres, negros e homossexuais, apoiar publicamente a tirania, negar a vacina àqueles que estavam à beira da morte, galhofar dos que não conseguiam respirar e renegar socialmente os que optaram em formar família com parceiros do mesmo sexo.
Para os bolsonaristas conservadores e idiotizados, sair do pedestal que eles avaliam como ideal é sinônimo de convicção comunista e de associação ao banditismo. Obviamente que, por razões decorrentes exclusivamente da ignorância que os move, trata-se de uma clara e inequívoca inversão de valores. Por conta da insensatez doutrinária que professam, os que odeiam os que não os amam decidiram denunciar o desamor dos odiados. É o roto tentando esfarrapar todos os que condenam a intolerância. Não deu certo.
De forma objetiva e teatral, o enredo demonizado mostrou ao mundo que quem com ferro fere, um dia com ferro será ferido. É a lei de causa e efeito. Um dia o rato come o gato. Chegou esse dia. Queiram ou não, critiquem e esperneiem, Lula da Silva apareceu muito mais do que aparecerá no horário gratuito eleitoral. E o horário era nobre. O mais deplorável para o bolsonarismo é que a TV Globo mostrou tim por tim. O fato é que, desde o dia do desfile da Acadêmicos de Niterói, a guerra de narrativas animou o gado, mas enlatou os bolsonaristas, relativizou a candidatura de 01 e chamou ainda mais atenção para o Lula 4.
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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras