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Brasília

Campo vive em paz e produtor sem medo

Ana Luíza Vinhote

Se engana quem pensa que o Distrito Federal tem uma área rural pequena. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), são 345 mil hectares com cerca de 90 mil moradores que moram no campo, além de 35 mil trabalhadores com carteira assinada. Para garantir a segurança da população dessa região, a capital conta com três Batalhões de Policiamento Rural da Polícia Militar.

Dessa forma a produtora rural Edna Venâncio, 47 anos, sente-se mais segura. Há 21 anos no campo, ela foi assaltada duas vezes pelos mesmos bandidos em 2015.

“Para nós, os policiais são essenciais. Sempre que nós precisamos, eles estão prontos para nos atender. Eles nos ajudam não só nos protegendo, mas também nos orientando. Criamos um laço de amizade”, conta.

Com uma média de 50 militares por batalhão, o primeiro é localizado próximo ao reservatório do Descoberto e abrange as cidades de Ceilândia, Sol Nascente/Pôr do Sol, Brazlândia e Samambaia. O segundo fica em Taquara, em Planaltina e além da região, também faz o policiamento da Fercal, Paranoá, São Sebastião e Sobradinho I e II. Gama, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II e São Sebastião ficam sob a responsabilidade do terceiro batalhão rural.

O capitão Rafael Cunha, responsável pelo 1º Batalhão, explica que os principais crimes que ocorrem nessas regiões são parcelamento irregular de terras, violência doméstica e roubos e furtos. “Eles costumam subtrair desde ferramentas a caminhões que transportam gados, por exemplo”, comenta.

Reforço
Neste mês, 718 militares concluíram o VI Curso de Formação de Praças da PMDF para reforçar o policiamento nas ruas da capital. Os recém-formados também participaram, pela primeira vez, de uma formação nas áreas rurais do DF durante 48 horas. De acordo com o comandante da Escola de Formação dos Praças, major Alessandro Arantes, foram trabalhados requisitos para que os policiais conseguissem atuar em estradas de chão, sem iluminação e sinal de celular.

“Nesses lugares o limite é testado ao máximo, pois eles são colocados em condições adversas às que são acostumados a viver. Tiveram obstáculos, travessias no lago, noturnas de madrugada, limitação de alimentos, banheiro improvisado sem vaso sanitário, entre outros”, lembra Arantes.

O capitão Rafael Cunha reforça a importância desse tipo de treinamento. “A área rural é totalmente diferente da urbana. Até a receptividade dos moradores, que estão mais ‘isolados’, é mais carinhosa. O risco que os militares correm é multiplicado pela falta de iluminação e comunicação, pois quando o suspeito comete um crime ele tenta se esconder no meio da mata fechada”, comenta.

Além do policiamento, os militares também foram treinados para a preservação do meio ambiente, como a captura de animais e o descarte correto de dejetos. O sargento Valdemiro Lopes, que atua no 1º Batalhão, reforça que os policiais dão orientações de segurança pública para os moradores. “Alguns chacareiros não podam o mato em frente da casa, não colocam portões ou usam materiais muito frágeis, então orientamos para que eles tomem alguns cuidados que vão ajudar na proteção deles”, afirma.

Denúncias
A população rural do DF conta com o número (61) 99971-1080 para denúncias, além do programa Guardião Rural. Lançado no ano passado, a ferramente já tem cerca 200 propriedades cadastradas. A iniciativa visa aumentar a segurança e facilitar o atendimento de ocorrências no campo.

“Sensibilizamos os núcleos interessados e cadastramos as propriedades, montando um grupo de WhatsApp para ajudar na comunicação de possíveis ocorrências”, explica Cunha.

Também é feito o georreferenciamento da propriedade e definidas rotas para chegar ao local, assim como o cadastro das pessoas que moram trabalham no lugar, os bens da propriedade, como animais de criação, automóveis, maquinários, bombas d’água, insumos, entre outros. As informações são repassadas para o sistema.

Por fim, o batalhão disponibiliza uma placa, com QR Code e número do cadastro para que os moradores confeccionem e coloquem na entrada da propriedade. “Facilita quando vamos atender alguma ocorrência, pois chegamos mais rápido e temos acesso às informações do local, do que foi furtado e de quem reside ou trabalha ali”, destaca o capitão.

Edna ficou sabendo da iniciativa pelo batalhão e logo quis participar. “Depois do Guardião Rural percebemos que os furtos e roubos diminuíram bastante. Ficamos sempre atentos ao grupo do WhatsApp para ajudar de alguma forma. Também foi um jeito de ficarmos mais próximos dos vizinhos”, elogia.

Para participar, basta procurar a associação de moradores ou o conselho comunitário de segurança para acionar o batalhão. Os militares farão uma palestra de sensibilização, cadastrar os interessados e depois criar o grupo.

Com relação a denúncias de vítimas de violência doméstica nas áreas rurais, a Secretaria da Mulher possui dois ônibus adaptados com duas salas de atendimento para prestar serviços de orientação, acolhimento e atendimento psicossocial, além de divulgar os equipamentos da pasta.

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