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Ideias e projetos

Candidato precisa falar menos e fazer mais

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Autor/Imagem:
Sonja Tavares - Foto de Arquivo/ABr

Da mesma forma que ninguém se elege mais prometendo acabar com a seca no Nordeste e com títulos para o Vasco da Gama, nenhum dos dois, três ou quatro candidatos à Presidência da República conseguirá se eleger em outubro com homilias de ódio, campanhas contra a democracia, promessas de recuperação imediata do status quo do povo brasileiro, muito menos com discursos individualistas do tipo eu sou bom, o mais bonito, o mais honesto, o mais patriota e, portanto, o melhor para o Brasil.

Além de propostas e projetos reais, sérios e de execução fácil e imediata, o eleitorado quer ouvir falar de esforços conjuntos, de ações e de ideias corajosas, eficientes, consistentes, produtivas e, principalmente, unificadoras. A melhor maneira de iniciar a campanha rumo ao Palácio do Planalto é parar de falar e começar a fazer. Até agora, com ligeira vantagem para quem já domina a máquina, nada foi dito para melhorar o humor, tampouco para massagear as costas cansadas dos milhões de eleitores.

Além dos torpedos mútuos e dos mísseis disparados contra instituições que um ou todos os postulantes avaliam como incômodas, por enquanto só soberba e perda de tempo, ambas consideradas como destruidoras dos melhores projetos, independentemente das boas intenções. Cheio de blá blá blá, de sonhos mal sonhados e de abafadores de incêndio, o brasileiro comum parece focado em gestão. Qual dos candidatos é mais capacitado para gerir um país do tamanho do Brasil e com tantas diferenças?

Em qualquer disputa mais abrangente como a Presidência da República, é fundamental que, antes dos devaneios a respeito de uma boa obra, haja a apresentação de um bom projeto para discussão coletiva. Sempre soube que boas ideias convencem e contagiam. Na “briga” político-partidária não cabem mais discursos exclusivos para as bases, indiretas para autoridades de outros poderes, picuinhas, idolatrias, radicalismos de parte a parte, tentativas veladas de furar o olho do adversário ou ameaças explícitas a esse ou aquele candidato.

Defender Donald Trump ou repetir novenas e preces escritas por lideranças dos Estados Unidos também estão fora de moda. O tempo é de renovação, de construção de novos caminhos e de fortalecimento do que realmente importa: a reunificação do povo e do país. É nisso que os senhores ávidos pela primeira ou quarta subida à rampa do Palácio do Palácio do Planalto precisam apostar. Conforme uma das poucas pesquisas que mereceu alguma respeitabilidade, a maioria dos eleitores ainda não decidiu o candidato para as eleições deste ano. De acordo com os dados, 51% dos entrevistados informaram que podem mudar de candidato até o dia 4 de outubro.

Embora sempre faça uso de minha indiferença com relação às pesquisas, me chamou atenção o fato de que a maior chance de mudança está exatamente entre os eleitores de direita. Alguns institutos vêm cravando a vitória de um e a derrota de outro. Apesar das ilações, curiosamente 60,4% dos que prometeram votar em Flávio Bolsonaro afirmam que podem mudar o candidato. O mesmo ocorre com os que se dizem eleitores de Caiado: 69,4% falam em possível mudança. Entre os eleitores do presidente Lula, apenas 26,6% admitem essa possibilidade. Ou seja, nada do que já foi dito tem valor efetivo. Eleição presidencial se ganha com trabalho, dedicação, competência e projetos, muitos projetos. Em nome do pai e no grito nem na próxima encarnação.

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Sonja Tavares é Editora de Política de Notibras

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