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Eleição bate na porta

Candidatos jogam o eleitor em labirinto

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto Editoria de Imagens/IA

Homens públicos conscientes, sérios e que usam a política em benefício do povo servem à sociedade, buscam a justiça social e garantem a participação cidadão na construção da nação. A menos de um mês das eleições gerais, talvez meia dúzia entre os milhares de candidatos espalhados pelo país sugerem em suas campanhas uma nova história para o Brasil. Como um disco arranhado, a maioria esmagadora dos postulantes a qualquer cargo eletivo só falam em repetir a história. Passam a impressão de que o mundo novo a ser construído é realmente uma ficção.

Deliberadamente entregue a um estado de lentidão extrema, algo como uma apatia profunda ou falta de energia física e mental, o eleitor parece buscar um “salvador” onde jamais estará. Vem daí a máxima de que a política é o reflexo do povo. A exemplo de eleições anteriores, em 2026 permanecemos rodeados de falsidades e de hipocrisias. O que tenho visto e ouvido no rádio e na televisão nada mais é do que a prova de que a política brasileira atual prima pela falta de interesse com as necessidades da população.

Mesmo depois de um governo de fachada, de muitos gritos e ameaças e de pouca ação, ainda hoje muitos de nós não percebeu que, enquanto os partidos políticos falarem mais alto do que as pessoas, a política de nada servirá para o povo. Política não é apenas política. Política são nossos valores tomando vida e se tornando princípios. A forma como os candidatos têm se apresentado me faz lembrar dos velhos despachantes, aqueles que, mediante uma quantia negociada previamente, resolviam nossas pendências particulares.

O mundo mudou, nós evoluímos, mas politicamente estagnamos como árvores que não dão frutos. Tanto que, enganados pela “perfeição” da retórica e do marketing político, preferimos usar a política como sensacionalismo social e, às vezes, até como ensaios populistas produzidos sobre plataformas ideologicamente romancistas. Em pleno século 21, consternados vimos diariamente pessoas brigando por políticos e não por política. Mais do que involução, essa é a prova de que a verdadeira transformação popular está longe de ser formalizada.

Talvez poucos de nós consigam viver a nova história com a qual sempre sonhamos. Ela só ocorrerá quando o povo que vota acordar, esquecer a cegueira e começar a aprender por si mesmo, em vez de permitir ser conduzido por discursos de homens e mulheres torpes que nunca serviram e jamais servirão ao bem comum. Continuamos votando em propostas fantasiosas, enganadoras e de segunda mão. Algumas não valem sequer o que o gato enterra. Sem exageros, rememoremos as eleições parlamentares de 2018 e de 2022.

Nesses dois pleitos, o eleitor liberou um castelo para centenas de ratazanas. Entretanto, como nas histórias em quadrinho, boa parte delas não entendeu a importância da liberação e, sempre que pode, procura o esgoto. Com todas as vênias, é difícil acreditar em uma política limpa quando se tem um povo apático, venal, desinteligente e que facilmente se corrompe. Daí concluirmos que, enquanto o eleitor se calar, a política permanecerá surda. Portanto, é desnecessário ser sábio para se conscientizar de que não se muda a história política de um país antes de tentar mudar o ponto de vista de sua população. Nesse jogo de gato e rato, tudo indica que o povo nunca será o gato.

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como relíquia na estante da sala, e usa um Notebook para escrever artigos pontuais para Notibras

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