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Panorama Político, por João Zisman

Celina enfrenta desafio de manter a base unida

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João Zisman - Foto de Arquivo

A desistência de Ibaneis Rocha da disputa pelo Senado deixou de ser apenas uma decisão individual e passou a reorganizar publicamente o projeto eleitoral governista. A governadora Celina Leão confirmou que trabalha com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis nas duas vagas ao Senado e afirmou que pretende preservar a aliança com o MDB, embora tenha reconhecido que movimentos recentes do ex-governador produziram desgaste político. A composição desenhada reúne três mulheres na chapa majoritária e transfere para a escolha do candidato a vice o principal espaço disponível para acomodar os partidos da base.

Fora do ambiente eleitoral, o noticiário expõe problemas concretos da administração pública. Um contrato de R$ 98 milhões da merenda escolar está sob investigação depois da identificação de possível relação entre uma servidora responsável pela fiscalização e um representante da empresa contratada. Na saúde, o Distrito Federal registra preocupação com casos graves de Influenza B e enfrenta questionamentos sobre o atraso na ampliação da vacinação contra a gripe. No mercado de trabalho, as agências públicas oferecem 1.505 oportunidades nesta sexta-feira, enquanto a estiagem pressiona a produção agrícola, aumenta os custos de irrigação e pode elevar o preço de alimentos nas próximas semanas.

O conjunto das notícias coloca o Distrito Federal diante de duas agendas simultâneas. A primeira é eleitoral e envolve a reorganização da base governista depois da saída de Ibaneis da corrida ao Senado. A segunda está diretamente ligada à prestação dos serviços públicos, à fiscalização dos contratos, à capacidade de resposta da rede de saúde e aos efeitos econômicos da seca.

Celina Leão confirmou que a chapa governista deverá ter Michelle Bolsonaro e Bia Kicis como candidatas ao Senado. A governadora afirmou que a presença das duas representantes do PL está definida e destacou o caráter feminino da composição, que terá três mulheres nas vagas majoritárias caso o desenho seja mantido.

A confirmação reduz o espaço para novas acomodações na disputa ao Senado e concentra a negociação partidária na vaga de vice-governador. O Republicanos já apresentou o nome de Gustavo Rocha, mas a desistência de Ibaneis aumenta a possibilidade de o MDB reivindicar maior participação na chapa. Celina informou que pretende se reunir com o partido na próxima semana e defendeu a manutenção de uma aliança ampla de centro-direita.

A governadora também fez uma avaliação mais direta dos últimos movimentos de Ibaneis. Embora tenha atribuído a desistência a uma decisão pessoal, afirmou que a cobrança pública dirigida a ela e a tentativa de retirar Wellington Luiz da presidência regional do MDB não foram politicamente positivas. A declaração revela que a sucessão governista não será reorganizada apenas com gestos formais de conciliação. Existem divergências recentes que precisarão ser administradas para que o MDB permaneça integrado ao projeto.

O novo desenho fortalece Celina como centro de gravidade da base. Com Ibaneis fora da disputa, a governadora assume maior controle sobre as negociações eleitorais, sobre a relação com os partidos e sobre a distribuição dos espaços da chapa. A principal dúvida deixa de ser quem conduzirá o processo e passa a ser qual será o tamanho reservado ao MDB dentro de uma aliança em que o PL já ocupa as duas vagas ao Senado.

A desistência de Ibaneis não simplificou completamente a composição governista. Ela resolveu a disputa por espaço entre o ex-governador e os nomes do PL, mas abriu uma nova negociação sobre a permanência e o papel do MDB.

O partido dispõe de representação na Câmara dos Deputados e de uma bancada relevante na Câmara Legislativa. Por isso, dificilmente aceitará participar da campanha apenas como apoiador periférico. A vaga de vice torna-se o principal instrumento de acomodação, embora uma eventual reivindicação do MDB possa colidir com o compromisso anteriormente construído com o Republicanos.

O desafio de Celina será preservar a unidade sem transmitir a impressão de que a chapa está sendo redesenhada exclusivamente para atender às exigências do PL. O partido bolsonarista sai fortalecido porque ocupa as duas candidaturas ao Senado e mantém influência decisiva sobre o eleitorado de direita. O MDB, por sua vez, precisará demonstrar se ainda tem capacidade de impor condições ou se aceitará uma posição menor para permanecer próximo ao governo.

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