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Mistérios da Lua

Céu de Brasília é palco de eclipse quase total

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Autor/Imagem:
Carolina Paiva - Foto Bruno Gliosci

Passava um pouco de 1h30 da madrugada desta sexta-feira, 28, quando o leitor de Notibras Bruno Gliosci apontou sua câmera para o céu de Águas Claras, em Brasília. Diante das lentes, a Lua atravessava a sombra da Terra, oferecendo uma das cenas astronômicas mais marcantes de 2026. Um espetáculo, como definido por muitos espectadores, que não dependeu de palco, refletores ou efeitos especiais.

As imagens produzidas por Bruno foram feitas poucos minutos depois do ponto máximo do eclipse lunar parcial, ocorrido por volta de 1h13, no horário de Brasília. Naquele momento, 96,2% do disco lunar estava mergulhado na umbra — a região mais escura da sombra projetada pela Terra. Por isso, embora tecnicamente parcial, o fenômeno apresentou aparência muito próxima de um eclipse total.

O espetáculo pôde ser acompanhado em todo o território brasileiro, desde que as condições meteorológicas permitissem. Também foi visível em outras regiões das Américas, além de partes da Europa e da África.

O eclipse começou discretamente ainda na noite de quinta-feira, 27. Às 22h24, a Lua entrou na penumbra da Terra, fase em que a diminuição de luminosidade é mais difícil de perceber. Às 23h34 começou a fase parcial, quando a sombra mais escura avançou sobre o satélite. O auge chegou à 1h13 desta sexta-feira. A fase parcial terminou às 2h52 e o eclipse somente se encerrou completamente às 4h02, com a saída da Lua da penumbra terrestre.

O eclipse lunar ocorre quando Sol, Terra e Lua ficam alinhados de tal maneira que nosso planeta se posiciona entre o Sol e seu satélite natural. A Terra, iluminada pelo Sol, projeta uma extensa sombra no espaço. Quando a Lua atravessa essa região, parte ou toda a sua superfície deixa de receber diretamente a luz solar.

Neste eclipse, o alinhamento não foi suficiente para que 100% do disco lunar penetrasse na umbra. Uma pequena faixa permaneceu fora da região mais escura, razão pela qual o fenômeno é classificado como parcial, apesar de 96,2% da Lua terem sido obscurecidos.

A coloração avermelhada ou acobreada percebida durante eclipses lunares também tem explicação na atmosfera terrestre. Parte da luz do Sol é filtrada pela atmosfera, que dispersa com maior facilidade os comprimentos de onda azulados, enquanto tons avermelhados conseguem alcançar a superfície lunar. Diferentemente de um eclipse solar, não existe risco para os olhos. O eclipse da Lua pode ser observado diretamente, sem filtros, óculos especiais, telescópios ou qualquer outro equipamento de proteção.

O último eclipse lunar ocorreu em 3 de março deste ano e foi classificado globalmente como total. A visibilidade, entretanto, variou bastante conforme a região do planeta. No Brasil, somente áreas da Região Norte conseguiram acompanhar parte significativa do fenômeno antes de a Lua desaparecer no horizonte. A totalidade foi observada principalmente no Pacífico, além de regiões da Ásia, Austrália e das Américas.

Agora, quase seis meses depois, o céu tratou de oferecer uma compensação aos brasileiros: o eclipse desta madrugada pôde ser acompanhado de praticamente todo o país e, por cobrir mais de 96% da Lua, transformou-se visualmente em um espetáculo muito próximo da totalidade.

Quem perdeu a madrugada desta sexta-feira terá outras oportunidades, embora os próximos eventos sejam bem menos espetaculares. Em 2027 haverá eclipses lunares penumbrais, fenômenos nos quais a Lua atravessa apenas a região mais clara da sombra terrestre e cuja alteração de brilho pode ser difícil de perceber a olho nu.

Um novo eclipse lunar parcial visível em todo o Brasil ocorrerá na noite de 11 para 12 de janeiro de 2028. Será, porém, muito mais discreto: somente cerca de 2,4% da Lua deverá ser encoberta pela sombra mais escura da Terra. Já para quem espera novamente pela chamada Lua de Sangue, será preciso ter um pouco mais de paciência, porque o próximo eclipse lunar total visível em todas as regiões brasileiras está previsto somente para a noite de 25 para 26 de junho de 2029.

Até lá, ficam os registros desta madrugada. Em Águas Claras, Bruno Gliosci fez o que milhões de brasileiros puderam fazer: levantou os olhos para o céu. A diferença é que ele apertou o disparador e guardou em imagens alguns instantes de um encontro preciso entre Sol, Terra e Lua, desenhando uma geometria cósmica que, por algumas horas, transformou a madrugada brasiliense em observatório a céu aberto.

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Carolina Paiva é Editora do Quadradinho em Foco

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