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Ciência e não achismos

CFM deveria fiscalizar o exercício da medicina e não fazer politicagem

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@donairene13 - Foto de Arquivo

O Conselho Federal de Medicina é o órgão responsável por regulamentar e fiscalizar o exercício da medicina no Brasil. Trata-se, portanto, de uma instituição que deveria zelar pelo rigor científico, pela ética profissional e, sobretudo, pela proteção da vida e do bem-estar da população. No entanto, nos últimos anos, o que se viu foi um afastamento perigoso desses princípios.

Durante a pandemia de COVID-19, o CFM adotou posições amplamente controversas. Defendeu e chancelou o chamado “tratamento precoce”, incentivando o uso de medicamentos como cloroquina, azitromicina e ivermectina, sabidamente ineficazes contra a doença. O conselho também se opôs a medidas de isolamento social, criticou o uso de máscaras e se colocou contra a obrigatoriedade das vacinas. Essas posições não foram neutras nem técnicas: tiveram impacto direto na condução da crise sanitária e na percepção da população sobre o que era ou não seguro fazer.

Não por acaso, o relatório final da CPI da pandemia, em 2021, classificou as ações do CFM como criminosas, antiéticas e temerárias, chegando a apontar o conselho como um dos responsáveis pelo caos sanitário vivido pelo país. É uma acusação gravíssima, que jamais deveria ser naturalizada ou esquecida.

É esse mesmo CFM que agora determinou a instauração de sindicância para apurar a “adequada assistência médica” prestada ao presidiário Jair Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes já decretou a nulidade dessa sindicância e determinou que o presidente do conselho seja ouvido pela Polícia Federal, o que, por si só, revela a fragilidade e a inadequação da iniciativa.

O que revolta é a seletividade. Um conselho que deveria estar permanentemente preocupado com a saúde coletiva, com a qualidade da assistência médica e com a proteção da vida jamais demonstrou o mesmo zelo quando milhões de brasileiros adoeceram e morreram. Ao contrário: o que se viu foi um claro posicionamento político, enviesado, negacionista, com consequências concretas e dolorosas para a população.

Quando uma instituição técnica abandona a ciência para servir a projetos ideológicos, ela trai sua função social. E, quando isso acontece em um órgão que deveria proteger vidas, o prejuízo não é apenas institucional, é humano, profundo e irreparável.

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