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Reidatração prolongada

Chegou a hora de Kane mandar Messi comer tomate cru na Copa?

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Tudo que sobe um dia desce. O problema é a rapidez com que o trem desce e o tempo que ele leva para subir novamente. Faz 24 anos que a Seleção Brasileira só desce. É ladeira abaixo. Para os que acharam que isso nunca aconteceria, os fatos e as fotos estão aí para provar que o futebol não é uma ciência exata. Prova disso é que o Brasil só perdeu porque não empatou e deixou de ganhar. Falando sério, o Brasil foi o melhor durante décadas. Não é mais há duas décadas. E de década em década, cada vez eu me convenço que é exatamente por isso que esse esporte é fascinante.

Acho que, no nosso caso, ele está mais para faxinante. Entretanto, como não desisto nunca, acredito que tudo vai mudar para 2030. Será que o Odorico Paraguaçu da Casa Branca e o Dirceu Borboleta do clã vão deixar? Tomara que sim. Por enquanto, devo pensar que esses novos quatro anos representam apenas uma parada para reidratação mais prolongada. Papagaiadas políticas à parte, como diz o velho ditado das quatro linhas, não as constitucionais, a imprevisibilidade é a maior certeza do futebol.

De repente, um erro do juiz, como os vários em favor da Argentina de Javier Milei, um pênalti aos 45 do segundo tempo ou uma falha do zagueiro da equipe campeã da Inglaterra decretam uma derrota inesperada. É isso que transforma o futebol na paixão que é em qualquer canto do mundo. Como dentro de campo são 11 contra 11, tudo pode acontecer, inclusive nada, que é o zero a zero. Portanto, não há fórmulas matemáticas capazes de garantir a vitória de um time com elenco estrelado e milionário.

O jogo entre França e Espanha não me deixa mentir. Ganhou a pior ou perdeu a melhor? Pouco importa. Ganhou quem tinha de ganhar. Como foi fundado pelos ingleses, o chamado esporte bretão é a combinação de variáveis incontroláveis, entre elas a emoção, falhas humanas, genialidade individual, o acaso e até o craque que um dia jogou, esqueceu como jogava, pensou que ainda jogava e hoje não joga mais. E daí se ele tem um iate de R$ 120 milhões? Azar o nosso, o torcedor, que confiou na confiança de Ancelotti e chegou a acreditar que ele poderia jogar.

Ele está em seu iate e nós estamos a ver navios. Pois é isso que torna qualquer previsão estatística ou planejamento tático vulnerável a surpresas. É aquela história de que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Teria o ditado popular alguma coisa a ver com a Seleção Canarinho? Nããããooo! Nossas três derrotas, dois empates e nenhuma vitória contra os vikings foram obra dos deuses nórdicos, aqueles que remam, remam e remam até o canoão brasileiro afundar em Paquetá.

Nesta quarta (15) é dia de Inglaterra e Argentina. Considerando a sátira de que o argentino é um italiano que fala espanhol, age como se fosse francês e se acha inglês, sinceramente não sei para quem torcer. Afinal, o que é o inglês nesse imbróglio futebolístico? Na dúvida, fecho com o Kane, que é Harry, mas que, contra os portenhos, bem que poderia jogar como um “hurricane”, que significa furacão em inglês e “huracán” em espanhol. Mudando temporariamente meus conceitos em relação aos hermanos, digo: Rivais sim, inimigos também. Vai comer tomate cru, Argentina!

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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