Curta nossa página


Jeito nordestino

Chuva fora de época motiva criança a brincar mais

Publicado

Autor/Imagem:
Acssa Maria - Texto e Foto

Oxente, minha gente… Tem dia que o céu amanhece emburrado, a nuvem fechada que só, e a gente pensa logo: “Eita, lá vem aperreio.” Mas no Nordeste, até a chuva tem história pra contar.

Aqui, quando a água cai do céu, não é só tempo fechado, não. É esperança molhando a terra seca, é cheiro de barro subindo no ar, é menino correndo descalço na rua de terra, fazendo da poça um mar inteiro de alegria.

A vida, visse, é que nem inverno no sertão. Às vezes demora, às vezes vem ligeiro. Mas quando chega, a gente não pode se esconder debaixo do medo, não. Tem que abrir os braços, sentir os pingos no rosto e dizer: “Se é pra molhar, que seja de felicidade!”

Tem gente que reclama da lama no caminho. Mas o nordestino arretado aprende cedo: a lama também é sinal de fartura chegando. A chuva pode atrapalhar o varal, mas enche o açude. Pode borrar a estrada, mas faz brotar o feijão.

Quando a vida te der dias de chuva, não fique só olhando pela janela, não. Vá brincar nas poças dos problemas, pule por cima das dificuldades e deixe a tristeza escorrer pelo chão junto com a água.

Porque felicidade, minha filha, meu filho, não é esperar o sol voltar. É aprender a dançar no meio da trovoada.

E se alguém perguntar o segredo da sua alegria, você responde com aquele sorriso matuto no canto da boca:

— Aqui é Nordeste, meu bem. A gente não foge da chuva, a gente faz dela festa.

Eita povo forte!

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.