Jeito nordestino
Chuva fora de época motiva criança a brincar mais
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Oxente, minha gente… Tem dia que o céu amanhece emburrado, a nuvem fechada que só, e a gente pensa logo: “Eita, lá vem aperreio.” Mas no Nordeste, até a chuva tem história pra contar.
Aqui, quando a água cai do céu, não é só tempo fechado, não. É esperança molhando a terra seca, é cheiro de barro subindo no ar, é menino correndo descalço na rua de terra, fazendo da poça um mar inteiro de alegria.
A vida, visse, é que nem inverno no sertão. Às vezes demora, às vezes vem ligeiro. Mas quando chega, a gente não pode se esconder debaixo do medo, não. Tem que abrir os braços, sentir os pingos no rosto e dizer: “Se é pra molhar, que seja de felicidade!”
Tem gente que reclama da lama no caminho. Mas o nordestino arretado aprende cedo: a lama também é sinal de fartura chegando. A chuva pode atrapalhar o varal, mas enche o açude. Pode borrar a estrada, mas faz brotar o feijão.
Quando a vida te der dias de chuva, não fique só olhando pela janela, não. Vá brincar nas poças dos problemas, pule por cima das dificuldades e deixe a tristeza escorrer pelo chão junto com a água.
Porque felicidade, minha filha, meu filho, não é esperar o sol voltar. É aprender a dançar no meio da trovoada.
E se alguém perguntar o segredo da sua alegria, você responde com aquele sorriso matuto no canto da boca:
— Aqui é Nordeste, meu bem. A gente não foge da chuva, a gente faz dela festa.
Eita povo forte!