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Paciência de sertanejo

Chuva sara a cicatriz que a seca criou no chão do Nordeste

Publicado

Autor/Imagem:
Acssa Maria - Texto e Foto

No Nordeste, a gente aprende cedo que o chão também sente. Quando a seca chega, ela não pede licença. Vai entrando pelas porteiras abertas do tempo, secando açudes, silenciando os riachos, deixando a terra marcada — rachada como quem carrega dor antiga. A paisagem vira cicatriz. O gado emagrece. O agricultor olha pro céu como quem faz oração sem palavras.

Mas o sertanejo é feito de resistência. Ele espera. E quando a chuva vem… ah, quando a chuva vem, é como se o céu resolvesse abraçar o chão. A primeira gota não cai só na terra — cai no peito do povo. O cheiro do barro molhado sobe ligeiro, anunciando esperança. As rachaduras começam a se fechar devagarinho, como quem recebe cuidado.

No coração do Sertão Nordestino, cada pingo d’água é milagre miúdo. Não é só água: é promessa de plantio, é feijão que pode brotar, é milho que pode crescer, é mesa que pode ter sustento outra vez.

A seca faz cicatriz, sim. Mas a chuva ensina que toda ferida pode encontrar alívio. O sertanejo sabe que a vida é feita de espera e fé. Ele planta mesmo antes da certeza. Ele acredita mesmo depois da estiagem. Porque no Nordeste, a esperança não morre — ela apenas adormece, esperando o barulho da chuva no telhado de zinco para acordar sorrindo.

E quando o céu escurece e o trovão anuncia mudança, ninguém reclama. Pelo contrário: agradece. Porque cada gota que toca o chão é como se dissesse: “Eu voltei.” E a terra, antes ferida, responde com verde.

No Nordeste, a chuva não é só fenômeno. É cura. É renascimento. É a cicatriz aprendendo a florir.

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