Rio da Madre
Cinema das águas
Publicado
em
“Pena de pavão de Krishina, Maravilha, Vixe, Maria de Deus /
Será que esses olhos são meus?
Cinema transcendental […] Como eu sei gostar de você”.
(TRILHOS URBANOS, Caetano Veloso)
Caminho pela borda do rio da Madre
E invento filmes que passam pelos olhos da mente
Cenas inacabadas que nunca filmei
E vem a trilha sonora de Morriconi
Que jamais compus ou contratei
Mas os filmes/memórias estão ali
Perseguem, agarram e colam
Que poder tem a memória?
Que magia é o cinema?
Rio da Madre / mar Atlântico
Guarda / baús repletos de sonhos e histórias
Memórias, roteiros, degredos
E os meus olhos d’alma
Pintam imagens de luz
Em segredo
Amanhece, anoitece, amanhece
Marejam as águas do rio/mar
Filmes imaginários transcendentais
E sempre haverá um barco lá…
A nos esperar
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*Gilberto Motta é escritor, jornalista, professor/pesquisador e apaixonado pela poética do cinema. Vive na Guarda do Embaú, vilarejo de pescadores no litoral Sul de SC.
**Foto de Tasso Scherer / Florianópolis SC.