Ciclo de escândalos
Cláudio Castro entra para a estatística de governadores descartados
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Nesta terça, 24, o TSE cassou o mandato do ex-governador Cláudio Castro, por abuso de poder econômico, além de decretar sua inelegibilidade por oito anos. O placar de 5 a 2 reflete a gravidade do entendimento da Corte. Os votos de Nunes Marques e André Mendonça pela absolvição mostram apenas que, mesmo diante de evidências robustas, sempre há espaço para leituras divergentes e complacentes.
Mas, como quase tudo no Rio de Janeiro, a consequência prática da decisão é um labirinto institucional. Afinal, quem governa o estado agora? Sem vice-governador e com o presidente da Alerj licenciado, a resposta parece saída de um manual pouco consultado: o comando recai sobre o presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto de Castro. É o tipo de solução que, embora prevista, revela o grau de improviso estrutural a que o estado foi submetido.
O Rio de Janeiro, que há anos alterna entre escândalos e intervenções, parece preso a um ciclo em que a exceção virou regra. A cassação de Castro pode até representar um gesto de correção institucional por crimes cometidos em 2022, mas também evidencia o quanto ainda precisamos aprimorar nosso processo eleitoral, não apenas para punir, mas também para evitar que crimes eleitorais aconteçam.