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30 moedas de Infantino

Claus, vitorioso, manda Trump pra escanteio

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Falar de política interna ou externa nos dias atuais é, além de insistir com a mesmice, se valer do nada que é produzido pelas chamadas excelências para escrever coisa alguma. Como dizem os escribas mais especializados, é tirar leite de pedra. Eis a razão pela qual cada vez mais me convenço de que a política é a única “profissão” para a qual se pensa que é preciso nenhuma preparação. Confesso que sou daqueles que já pensou muito nisso. Parei de pensar no dia em que tive certeza de que, na política, tudo é desprezível, inclusive a maioria dos políticos.

Por isso, guardo em minha cabeceira esquerda a mais célebre das frases de Elias Murad sobre o tema: O Brasil progride à noite, enquanto os políticos estão dormindo. Cheguei a substituí-la por uma de Stanislaw Ponte Preta, para quem a prosperidade de alguns nomes públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento. Como ambas definem com exatidão a vulgaridade da política e de nossos políticos, me vi obrigado a acrescentar uma cabeceira à minha esquerda.

No futebol, nos jogos ruins, é comum os comentaristas se dirigirem à pior equipe com o bordão a bola pune. Na política, às vezes a bola se une ao apito e aos votos, derrotando o politiqueiro ao vivo e em cores, com a assistência de milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive em seu próprio reduto. Se unindo à família de ególatras e de rastejadores do poder, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também não sabe perder, emparedou o dono da Fifa, Gianni Infantino, obrigando o cartola anular um cartão vermelho de um dos jogadores dos EUA.

Pretenso dono do mundo, Trump foi muito além do futebol. Com a anuência infantil de Infantino, a força prevaleceu a serviço da violência. De nada adiantou. Os belgas souberam honrar os deuses do futebol e aplicaram um sonoro 4 a 1 nos meninos do líder republicano. A exemplo do chororô dos ratolatas do Brasil, Trump chorou ao descobrir que, se tiver humildade, terá de entregar o troféu de campeão da Copa do Mundo de 2026 a um capitão de fora dos EUA. É claro que, novamente a exemplo do irmão da direita brasileira, Trump dirá sempre que seu país é o verdadeiro campeão mundial.

É só uma hipótese, mas o mandatário da Bélgica está preocupadíssimo com a possibilidade de o “colega” americano classificar a seleção belga como organização terrorista. Como no futebol não existem urnas eletrônicas, o que ou quem ele culpará? Quem sabe a última alternativa de Trump para reverter o jogo perdido nas quatros linhas seja uma auditoria no VAR. Para a reencarnação de Adolf Hitler, enquanto houver bambu e comigo-ninguém-pode haverá flecha envenenada. Voltando à punição divina ou da bola, no Brasil o despotismo perdeu de goleada para a democracia e se perdeu para sempre na poeira do Cerrado.

Nos Estados Unidos, a interferência do ditador Trump deu certo em parte. Cancelar a suspensão de um jogador foi uma vergonha histórica. Entretanto, os deuses dos gramados estavam atentos e o futebol respondeu dentro de campo. Resumindo, o Brasil ganhou duas vezes de Trump: impedindo o golpismo de seus amiguinhos assistindo de longe a derrocada do ex-quase futuro império futebolístico dos EUA. De todos, o maior vencedor foi o juiz brasileiro Raphael Claus. Apitador sério, ele acertou no pênalti, fez Trump pagar um mico internacional e, de quebra, mostrou ao mundo como Infantino e a Fifa se vendem barato.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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