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Modo sincerão

Clone do pai, Flávio deve ficar no meio da estrada

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Associado à Lei de Murphy, há um provérbio popular que resume a ideia de que situações difíceis sempre guardam o potencial de se complicar ainda mais se não houver cautela ou de uma reviravolta da noite para o dia. Popularmente, o brasileiro se acostumou a dizer que nada é tão ruim que não possa piorar. Mais professoral e filosófico, o conceito nascido da larva do engenheiro aeroespacial norte-americano Edward Murphy  data de 1949 e estabelece que “se há alguma maneira de fazer algo errado, essa pessoa fará”.

Embora o resultado seja o mesmo, ao longo dos anos variações pessimistas da frase cresceram em livros de humor e nos cordéis de cultura popularesca. Pelo sim, pelo não, todo ser humano deveria ter consciência de que não se deve confiar em tudo que se vê, tampouco naquele outro ditado que diz que, após tempestade, vem a bonança. Maravilhosa na teoria, a tese pode ser terrível na prática, principalmente para aqueles que sistematicamente fogem das leis da semeadura ou de causa e efeito.

Para os que plantam espinhos e se acham no direito de colher flores perfumadas, a vida cobra juros e correção. No sentido bíblico, é o caso de um dia tá difícil e no outro não tá fácil. Milhões de brasileiros sofrem com as consequências de atitudes ruins, de provocações ou de maldades políticas e pessoais contra adversários que, às vezes, não estão nem aí para eles. Esses normalmente apanham e sabem por que estão apanhando. Considerando as particularidades do Brasil, onde até sal parece açúcar, seria o caso do presidenciável Flávio Bolsonaro?

Incorporando o modo sincerão, afirmo que sim. Confuso, descontrolado, desnorteado, apatetado e claramente no período de desorientação política, o candidato da extrema-direita parece charuto em boca de bêbado. Nada que os mais espertos e menos aparvalhados não tivessem adiantado. Imitar o pai, Jair Bolsonaro, definitivamente foi uma péssima escolha para o primogênito do clã. Levando em conta que o ser humano é o único que se falsifica, Flávio teve todas as chances de ser ele mesmo. Como não foi, tudo indica que, a exemplo do pai, ficará pelo caminho.

Utilizando rimas estranhas, incomuns ou inusitadas na política para manter o eleitorado ingênuo ou mal-intencionado, o representante do ultraconservadorismo escolheu como alvos recorrentes de sua verborragia barata símbolos caríssimos para a população. O sistema eletrônico de votação foi um deles. Talvez o principal. Tantas Flávio e seus familiares fizeram que acabou obrigando um de seus supostos aliados de primeira grandeza a se opor publicamente às criminosas ilações do clã e do candidato extremista.

Também sob o manto do caboclo Sincerão, o atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, jogou duas pás de cal sobre a falida argumentação bolsonarista de que as urnas eletrônicas são falíveis.  Aos mesmos diplomatas que já ouviram horrores da máquina de votar, Nunes Marques disse que a tecnologia eleitoral brasileira é uma referência mundial em segurança e em eficiência. Diante da afirmação de que os mecanismos das urnas são desenvolvidos de “forma séria, segura e transparente”, resta a Flávio Bolsonaro pedir autorização a Xandão, buscar o ombro do pai e, em domicílio, cantar: “Agora, que faço eu da vida sem você?”

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