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Sobradinho

Clube de tiro em condomínio fechado gera polêmica

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Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Divulgação

Moradores do Condomínio Alto da Boa Vista, localizado em Sobradinho, no Distrito Federal, estão protestando contra a instalação de uma filial do clube de tiro Tríade no local. A comunidade alega que foi pega de surpresa pelo anúncio nas redes sociais e reclama da total falta de consulta prévia sobre a chegada do empreendimento. O principal argumento dos residentes é o aumento da insegurança, que contraria o propósito original de quem busca o isolamento de uma propriedade fechada para viver com tranquilidade.

O loteamento afetado possui grande magnitude, abrigando mais de 2,6 mil lotes residenciais em sua extensão. O espaço reservado para a nova sede da Tríade Escola e Clube de Tiro fica situado em uma área mista, cercado por diversos outros estabelecimentos comerciais e a poucos metros de muitas residências. Apesar de a fachada do prédio ainda não apresentar nenhuma identificação oficial, os moradores da região relatam que a estrutura interna do imóvel já passou por uma reforma completa para receber as atividades.

A sensação de vulnerabilidade é o sentimento predominante entre as famílias que residem nas proximidades do novo estabelecimento. A moradora Nádia Macedo expressou sua preocupação ao destacar que o estande de tiro quebra a percepção de proteção que a motivou a mudar para o condomínio. Na mesma linha, a residente Leila Abreu reforçou os riscos da iniciativa, classificando a instalação desse tipo de atividade em um ambiente essencialmente residencial e familiar como uma decisão perigosa para a rotina local.

Diante do impasse, o Exército Brasileiro se manifestou em nota oficial para esclarecer a atual situação cadastral da empresa. O órgão informou que a Tríade solicitou a mudança de endereço da Asa Norte para Sobradinho no dia 16 de março de 2026, e que o processo continua em fase de análise. A instituição militar ressaltou, porém, que até o momento o pedido formal restringe-se apenas à alteração de sede administrativa, sem nenhuma solicitação protocolada referente à montagem física de um estande de tiros.

O Exército também pontuou as regras vigentes para esse modelo de negócio em território nacional. Segundo a corporação, a legislação atual permite que entidades de tiro desportivo funcionem próximas a setores residenciais, visto que não há nenhuma previsão legal de distância mínima entre os estabelecimentos e as moradias. A única exigência obrigatória para o funcionamento regular é o estrito cumprimento de todos os requisitos de segurança física e operacional determinados pelas normas técnicas do setor.

Por outro lado, a Diretoria Executiva do Condomínio Alto da Boa Vista emitiu um comunicado afirmando ter tomado conhecimento da situação recentemente. A administração garantiu que está recebendo as reclamações dos condôminos com responsabilidade, serenidade e transparência, reconhecendo o impacto direto do tema no bem-estar coletivo. Contudo, a gestão justificou que possui o dever institucional de respeitar o ordenamento urbanístico do Poder Público e os direitos individuais de cada proprietário de lote.

Em análise técnica preliminar, a diretoria verificou que a Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) autoriza esse tipo de atividade comercial nas dependências do condomínio. Os gestores informaram que já acionaram o departamento jurídico para avaliar os limites legais de possíveis ações e entraram em contato com o dono do clube de tiro. O empresário se prontificou a apresentar todas as licenças, alvarás e autorizações necessárias emitidas pelos órgãos competentes assim que o processo de liberação for totalmente concluído.

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