Visão
Com os olhos bem abertos
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“Os olhos te olham e não veem / Fingem olhares e fogem/
Talvez quando retornarem nada encontrarão /
Apenas um litro de conhaque com alcatrão ”
(Gilberto Motta, conto Sobre Amores Impossíveis – 2005)
Olho em teus olhos e miro os meus
Vejo-me nos teus
Na medida em que somos e vivemos quase as mesmas coisas
Seres diferentes
Olhos em meus olhos e sangro os teus
Olhos castanhos, oblíquos, sem direção
Olho em teus olhos e cego os meus
E fico cego, surdo, mudo
Quase insensível de matéria, consciência e alma
Seguimos pelas estradas
Olhos parceiros vazados
Vagantes atordoados
Doentes irreversíveis de uma cegueira mútua e universal
Guerra total de infames
Escuridão d’alma
Bum e Bum e Bum
Mundo belo além de nós
Cegueira total atroz
Olhos os teus olhos
E só vejo os meus
Que vida? Que luz nos espera?
Haverá?
Pós 2026,
O que será?
……………………………….
Gilberto Motta, escritor, etc… de olhos bem abertos. Vive na Guarda do Embaú SC.