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Cachorro morto

Como cheque sem fundo, entrega do Brasil a Tio Sam deve ser pré-datado

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Em tempos de Copa do Mundo, Donald Trump parece ter assumido a camisa 10 e a chuteira 13 da candidatura de Luiz Inácio à sua quarta encarnação na Presidência da República. A decisão é baseada no fato que ele não sabe mais o que fazer para agradar à família Buscapé, digo Bolsonaro, particularmente ao menino sem nexo Flávio Bolsonaro, cujo condenável passado não o credencia sequer para líder do grêmio estudantil de Rio das Pedras, seu bairro natal. Quem conhece um pouco do Rio de Janeiro, certamente sabe do que estou falando.

Disposto a manter o perfil entreguista e, principalmente, a se fixar na narrativa a favor da super taxação das exportações brasileiras, o candidato da extrema-direita não se envergonha de se dependurar nos eggs do líder norte-americano. Pouco se importando com o futuro do país, a última novidade do filho 01 de Jair Bolsonaro foi pedir ao tio yankee para adiar a decisão sobre novas tarifas contra o governo Lula até o desfecho das eleições de outubro.

Como até os postes da Esplanada dos Ministérios, da orla de Copacabana e da Avenida Paulista sabem que as chances presidenciais do inimigo de madame Michelle são utópicas, quase mitológicas, o povo pode se tranquilizar, pois, se depender dos votos da massa, Flávio Bolsonaro não deixará o Brasil na miséria. Na verdade, a desesperada carta enviada a Donald Trump teve feito contrário, pois serviu muito mais para consolidar sua fama de traidor do que para aliviar sua tensão de pré-derrotado.

Na verdade, o documento sugere ao mandatário dos EUA que o tarifaço seja pré-datado. Ou seja, se ele conseguir ganhar, titio Trump rasga o pedido. Como Lula já desponta como virtual vencedor, o tarifaço só virá, ou não, depois de outubro. É o entreguismo com data marcada. Para mim, para os eleitores conscientes e para os independentes, a carta é somente mais um traque da campanha bolsonarista.

Provavelmente desprovido de humildade e de capacidade para ouvir quem entende de política, Flávio Bolsonaro deveria ser informado daquela frase muito comum em produções hollywoodianas: “Você tem o direito de permanecer calado, e tudo que disser poderá ser usado contra você”. Como a expressão também está, de certa forma, amparada na legislação brasileira, 01 perdeu a oportunidade de se calar e de, mais uma vez, municiar Lula.

Às vésperas da eleição, tenho me “preocupado” bastante com o impressionante barulho do silêncio de Luiz Inácio diante do caos da campanha de Flávio Bolsonaro, cujo posicionamento é sistematicamente prejudicial ao Brasil e aos brasileiros. Como é nessa etapa da vida que começamos a rever o passado com outros olhos para nos compreendermos melhor, me integro ao grupo que, em respeito à dor da família, decidiu não chutar cachorro morto. Sendo assim, prefiro dizer que, com todo apoio de Donald Trump, o principal adversário de Lula não cheira e nem fede.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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