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Artistas apagados

Congresso de 2022 é de fazer inveja a escolinha de stand-up comedy

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Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto de Arquivo

Ineficiente, incompetente, inoperante, preguiçoso, parasitário, daninho e, às vezes, insano para expressiva parcela da população brasileira, o Congresso Nacional eleito em 2022 não trabalha mais este ano. Não sei o que as excelências votaram, mas tenho certeza de que elas se deram bem. E como! Tanto que poucas sabem exatamente quanto recebem de salário, mas nunca esquecem o percentual que lhes sobra das emendas parlamentares secretas, aquelas que saem dos cofres públicos e, no máximo, chegam às privadas de “nossos” representantes. Meu não!

Voltando às eleições, caso o dono do mundo não decida afanar as urnas eletrônicas, o pleito geral de 2026 ocorrerá no próximo dia 3 de outubro. Com o início efetivo das campanhas eleitorais, as quais devem ser encerradas somente no fim de outubro, os deputados e senadores que resistirem à fúria da maioria dos eleitores sérios e conscientes provavelmente vão aguardar para saber de quem vão babar os ovos caipiras. Antes que isso ocorra, conto com os sérios e conscientes para que consigamos eleger um Congresso que seja menos circense e que, do palco iluminado, surjam boas propostas e projetos de interesse do povo.

Estamos a 57 dias da eleição. Como não posso dormir agora e acordar depois, já é transição, também conhecida como o período em que os eggs só não viram omelete explícito porque certamente serão de águia comedora de pintos molengas e incompetentes até mesmo para esconder a riqueza acumulada com um ou dois mandatos. Culpa de quem teve boa-fé e não acreditou que a má-fé só não é pior do que a Inteligência Artificial daqueles que só serão melhores de alma no dia em que se livrarem de um de pedaço do físico ou se transformarem em algo que ainda não existe.

Dizem que tudo isso é decorrência de o Brasil ter sido descoberto por estrangeiros. Como vibro e meu coração pulsa em verde e amarelo, prefiro achar que a descoberta é bem mais recente. Na verdade, o país foi descoberto pelo bolsonarismo em 2018, se consolidou em 2022, mas está por um fio em 2026. O Congresso eleito em 2022 não foi apenas pior do que o de 2018. Com chances reais de ganhar com folga, ele concorre ao título de ser o pior dos piores da história política nacional.

Notoriamente despreparados e oportunistas, alguns deputados da “larva” bolsonarista deixarão o cargo exatamente como entraram: em silêncio profundo. Ricardo Salles (SP) e Eduardo Pazuello (SP) são os exemplos mais gritantes. O primeiro tentou, mas não conseguiu liberar a “boiada” na Amazônia enquanto o povo morria de Covid. General reformado, Pazuello é aquele ex-ministro da Saúde que, no auge da pandemia, deixou faltar oxigênio em Manaus. Artistas apagados e sem fala, eles se esconderam na coxia para não serem vistos pela plateia que, desafortunadamente, os escolheu

No Senado, os eleitos fazem inveja a qualquer escolinha de stand-up comedy. Damares Alves, Magno Malta, Sérgio Moro, Hamilton Mourão e o astronauta Marcos Pontes, entre outros, fariam estrondoso sucesso em uma turnê política pelo país. Como humoristas políticos, eles confirmam a velha tese de Ulysses Guimarães, para quem um Congresso só é ruim até a chegada do outro. Rogo a Deus para que a descrença na política seja pelo menos amenizada nas eleições de outubro. Que o próximo presidente da República fique longe desses artistas.

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