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Cantinho do Leitor

Conheça Cássio Brandini, a nova geração que está oxigenando o Café Literário

Publicado

Autor/Imagem:
Maria Amália Alcoforado - Foto Arquivo Pessoal

Com apenas 15 anos, o brasiliense Cássio Brandini prova que a paixão pelos livros não conhece barreiras de idade e vai muito além dos clássicos exigidos nos vestibulares. Morador da capital federal, o jovem leitor divide sua rotina entre os estudos e os cliques no portal Notibras, onde encontrou na literatura independente o seu refúgio diário. Seja no trajeto do ônibus ou no silêncio do seu quarto, Cássio devora contos de mistério e crônicas urbanas que traduzem perfeitamente o visual futurista e o ritmo das tesourinhas e eixões de Brasília.

Nesta edição especial do Cantinho do Leitor, batemos um papo descontraído com Cássio para entender como as publicações do portal bugaram sua mente e mudaram sua visão sobre os novos escritores nacionais. Com um olhar afiado e a bagagem de quem já encara a leitura como um ritual essencial, ele conta o que o faz compartilhar um texto nas redes, revela seus “vícios” literários e compartilha suas próprias brisas criativas sobre a arquitetura da cidade. Confira a seguir a entrevista completa com esse jovem talento da nossa comunidade!

Ler os textos do Café Literário mudou a sua visão sobre os livros e autores independentes no Brasil? Você passou a valorizar mais essa cena?

Para ser sincero, mudou bastante. Eu achava que literatura nacional era só aquela parada antiga que a escola obriga a gente a ler para o PAS ou pro Enem. É legal também, mas gosto de coisas mais modernas. Ver a galera independente mandando muito no Café Literário me mostrou que tem uma cena diferente acontecendo agora.

“Eu devoro no ônibus voltando da escola e nem vejo o tempo passar”

 Qual gênero aqui do portal é o seu “vício” definitivo, aquele que você abre e devora até o final sem parar? O que te prende tanto nele?

Crônica e conto de mistério são meu vício definitivo. Se tiver uma pegada meio cyberpunk, suspense ou uma ironia ácida sobre o dia a dia, eu devoro no ônibus voltando da escola e nem vejo o tempo passar.

Qual conto, crônica ou poesia do portal parece que foi escrito pensando na sua rotina, na sua escola ou na sua vida aqui no Brasil?

Teve uma crônica esses dias sobre a pegar trem no Rio, trem lotdo, a piração da personagem de que estava prestes a ser assaltada. Bizarro de tão real.

Algum texto daqui já te fez “parar tudo”, bugou sua mente e te fez mudar de ideia ou de perspectiva sobre a vida?

Teve um conto sobre escolhas e pressão do futuro que me deu um estalo. Eu estava pilhadão com rumo de carreira e vestibular, e o texto me fez parar tudo, respirar e ver que todo mundo da minha idade está meio perdido também. Deu uma acalmada na mente. Não me lembro direito, foi há um tempão.

“Ler o Café Literário pelo celular é o fluxo do dia a dia”

O que mudança para você entre ler rapidinho na tela do Notibras (no celular) e o ritual de parar para folhear um livro físico?

Ler o Café Literário pelo celular é o fluxo do dia a dia, né? No tédio da aula ou no transporte. Mas o livro físico tem outra vibe. Gosto de deitar no quarto no fim de semana, sem notificação do Instagram pipocando na tela, e focar só no papel. O ritual é mais relaxante.

Quando um texto mexe muito com você, rola aquele compartilhamento nos Stories ou no grupo de amigos para indicar a leitura?

Às vezes, só se o texto for muito genial. Só tiro print e jogo nos Stories ou mando na DM do meu melhor amigo se o texto for muito fora da curva e me fizer explodir a cabeça.

Qual autor ou novo talento que você descobriu no portal te conquistou logo de cara? O que a escrita dele(a) tem de tão diferente?

Descobri uma autora nova lá que escreve umas crônicas psicológicos muito doidas. O jeito que ela constrói os diálogos parece muito como a gente fala de verdade, sem parecer um diálogo travado de novela velha. Ana Paula (Ana Paula Rocha)? Acho que é. Não sou muito ligado em nomes, mas acho que é isso.

Qual foi o último texto que você leu aqui e te deixou naquela “ressaca”, pensando: “Eu preciso de uma continuação urgente”?

Ah, esses aí da Ana Paula, mas tem outros. Tem também os da… Quem escreve sobre um policial? Hum… O Santana? Quem é? Ele é muito doido! (Santana é um personagem criado pelo escritor Eduardo Cesario-Martínez).

“Essas daí da Ana Paula são as mais doidas”

Qual história do Café Literário te pegou totalmente de surpresa por causa de um final inesperado ou de uma ironia muito boa?

Ah, são várias. Mas essas daí da Ana Paula são as mais doidas.

Se você mandasse na redação por um dia, qual tema ou assunto que a sua geração discute você mandaria os escritores do Café Literário escreverem?

Eu mandaria eles fazerem uma série de textos sobre a cultura urbana de Brasília hoje. Falar sobre as batalhas de rima, a galera do skate, o rolê nas tesourinhas e como é crescer na quebrada ou no Plano (Plano Piloto) em 2026.

Se o próximo conto ou crônica do Café Literário fosse escrito por você, qual história ou ideia você colocaria no papel para o mundo ler?

Eu escreveria uma crônica sobre a solidão dos blocos. É uma brisa que eu tenho de que Brasília parece um cenário de filme futurista meio vazio às vezes, e inventaria uma história de mistério se passando nos subsolos dos prédios comerciais da Asa Norte. Melhor, acho que do Setor Comercial Sul.

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A crônica mencionada por Cássio Brandini é Ramal Santa Cruz, da escritora Ana Paula Rocha.

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