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Dr. Leo

Conheça o Buldogue-Campeiro, o herói dos campos

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Autor/Imagem:
Leonardo Bernar - Foto Francisco Filipino

O buldogue-campeiro é uma raça canina legitimamente desenvolvida no Brasil. Sua história está ligada à construção da pecuária nas regiões Sul e Centro-Oeste do país.

Estes animais descendem diretamente de antigos cães europeus do tipo buldogue. Com o tempo, tornaram-se ferramentas de trabalho indispensáveis para os peões na lida diária com o gado.

A principal função inicial da raça era capturar e dominar bovinos e suínos. Eles agiam especialmente com os animais desgarrados ou com aqueles de comportamento mais arisco.

A eficiência do animal expandiu suas fronteiras geográficas até o Mato Grosso do Sul. Naquela região, desempenhou o papel de cão boiadeiro em fazendas e matadouros até o fim dos anos 1960.

Existem duas correntes principais sobre a origem genética e histórica do cão. A primeira delas aponta para os antigos buldogues ingleses trazidos por imigrantes europeus no século XIX.

Enquanto na Europa a criação focava na beleza e na padronização, no Brasil o foco era a utilidade. O cão precisava provar sua eficiência física e bom temperamento no trabalho cotidiano.

A segunda teoria conecta a raça ao extinto Cão de Fila da Terceira. Esse animal português possuía uma variedade “tipo Bull” com tamanho reduzido e cauda torta.

Acredita-se que essa vertente lusitana viajou ao Brasil junto com a corte portuguesa. O cruzamento desses exemplares ajudou a consolidar as características anatômicas encontradas no campeiro atual.

Os melhores cães eram celebrados por arrastar porcos e subjugar bois de até 400 quilos. Além disso, protegiam com sucesso as carroças e os cavalos dos tropeiros durante o descanso.

Na década de 1970, mudanças sanitárias proibiram a presença de cães nos abatedouros nacionais. Essa nova legislação, somada à chegada de raças estrangeiras, quase extinguiu o animal.

O resgate da raça começou graças à determinação do cinófilo Ralf Schein Bender. O especialista percorreu o Rio Grande do Sul reunindo os últimos exemplares sobreviventes.

O esforço deu frutos oficiais somente no início do século XXI. Em 2001, a Confederação Brasileira de Cinofilia reconheceu a raça sob o nome de Buldogue Campeiro.

Visualmente, o cão exibe uma estrutura forte, atarracada, musculosa e de formato quase quadrado. Os machos pesam até 45 quilos e medem cerca de 53 centímetros.

O temperamento da raça combina forte rusticidade na guarda com extrema afetuosidade com crianças. São animais tranquilos, um pouco ciumentos com os donos e que latem muito pouco.

A saúde do animal é marcada pela resistência física a doenças severas. Problemas como a displasia coxofemural são raros de causar incômodos reais no cotidiano.

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Instagram: @leoobernar

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