Respeito
Consideração não se implora
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Falta de consideração não se resolve com cobrança. Se resolve com distância.
Demoramos a entender isso porque fomos educadas a dialogar até a exaustão, a explicar o óbvio, a dar mais uma chance, a elaborar o que já estava claro. Acreditamos que, se falarmos com a entonação correta, a pessoa finalmente compreenderá. Mas consideração não nasce de argumento bem construído. Nasce de caráter relacional.
Nas Ciências Sociais, respeito não é apenas valor abstrato; é prática reiterada. Axel Honneth fala do reconhecimento como condição fundamental para a dignidade. Quando alguém age com descuido constante, está retirando reconhecimento. E onde o reconhecimento falta, insistir demais costuma produzir apenas desgaste.
Cobrança excessiva transforma a vítima em pedagoga emocional. Passamos a ensinar o básico: atenção, cuidado, reciprocidade. Só que aquilo que precisa ser ensinado repetidamente talvez nunca tenha sido prioridade.
Georg Simmel já observava que a distância também é forma de organização social. Aproximar e afastar são movimentos estruturantes das relações. Nem todo afastamento é ruptura dramática; às vezes é apenas reorganização necessária para preservar a própria integridade.
Existe ainda um equívoco comum: acreditar que distância é punição. Nem sempre. Muitas vezes é higiene emocional. É reconhecer limites. É aceitar que insistir pode ser mais desrespeitoso consigo mesma do que com o outro.
No fundo, consideração é algo simples. Ela aparece nos detalhes, na constância, na escuta. Não precisa de cobrança porque já se manifesta espontaneamente. Quando não aparece, talvez a resposta não esteja em falar mais alto, mas em caminhar para longe.
Tem uma sabedoria prática nisso: quem não entende o valor da sua presença precisa experimentar a sua ausência.
E ausência, quando é consequência de consciência, não é drama. É maturidade.