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Panorama Político, por João Zisman

Convenções transformam intenções em compromissos

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João Zisman - Foto de Arquivo

O calendário das convenções partidárias avança até 5 de agosto e começa a produzir decisões concretas no Distrito Federal. Depois de meses de lançamentos informais, pesquisas e articulações, os partidos passam a assumir publicamente as candidaturas que levarão às urnas e as alianças que sustentarão seus projetos.

O Agir foi uma das primeiras legendas a formalizar uma chapa própria. A convenção partidária escolheu o empresário e jornalista Elisson Ferreira para concorrer ao Governo do Distrito Federal e o microempresário e agricultor Tiago Tarsis para o Senado. Embora a legenda tenha presença eleitoral reduzida, a decisão amplia o número de candidaturas e demonstra que a disputa não será organizada apenas pelos grupos políticos de maior estrutura.

No campo da esquerda, as definições continuam mais complexas. O PT sustenta a pré-candidatura de Leandro Grass ao Buriti, com Erika Kokay ao Senado e apoio à reeleição de Leila Barros. A Federação Brasil da Esperança, entretanto, ainda precisa compatibilizar posições internas. O presidente do PT-DF, Guilherme Sigmaringa, afirmou que decisões tomadas pelo PCdoB deverão passar pela convenção da federação, prevista para 28 de julho. Entre os pontos de divergência estão o número de candidatos a deputado federal e a indicação dos suplentes de Erika Kokay.

A dificuldade não está apenas em confirmar nomes majoritários. As chapas proporcionais definem o espaço de cada partido, o acesso aos recursos de campanha e as perspectivas de eleição para a Câmara dos Deputados e para a Câmara Legislativa. Por isso, desacordos aparentemente secundários podem comprometer uma aliança mais ampla.

O União Brasil avalia lançar o ex-secretário de Segurança Pública Sandro Avelar ao Senado. A hipótese se apoia na trajetória do delegado, que foi diretor-executivo da Polícia Federal e comandou duas vezes a segurança pública do Distrito Federal.

A entrada de Avelar acrescentaria à disputa um candidato identificado com uma área que tradicionalmente tem peso relevante no eleitorado local. Também obrigaria o União Brasil a definir como se posicionará diante da aliança governista e de uma corrida ao Senado já ocupada por nomes conhecidos e com bases eleitorais consolidadas. Até aqui, trata-se de uma possibilidade política, não de candidatura formalizada.

O movimento ajuda a explicar por que a eleição para as duas vagas de senador tende a ser uma das disputas mais abertas do Distrito Federal. A existência de dois votos permite combinações entre candidatos de campos distintos e reduz a segurança de quem tenta interpretar a corrida como se apenas uma vaga estivesse em jogo.

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