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Mudança de foco

CPMI perde objeto e põe integrantes sob suspeita

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto Editoria de Artes/IA

Criada pelo Congresso Nacional em junho do ano passado, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito patina e não consegue sair do outro lado. Instalada com o objetivo inicial de investigar denúncias de fraudes bilionárias, principalmente descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas, no início deste ano a CPMI também se direcionou a outras questões, incluindo conexões com instituições financeiras, notadamente o Banco Master.

Embora com fins específicos, desde o início os integrantes da comissão se utilizam de outros meios para alcançar alvos diferentes do originalmente proposto. De forma mais objetiva, defender a barbárie da bandidagem do INSS contra os aposentados ficou em último plano. Logo após a instalação, a turma do deixa que eu chuto, com maioria no colegiado, percebeu nas investigações um gancho mais do que perfeito para atingir o atual presidente da República.

Por isso, a suspeita do povo de que a maioria deles não trabalha pelo país, mas sim por um projeto arcaico e tirânico de governo. Além do presidente Lula, entraram no radar da oposição todos aqueles que, de algum modo, se intrometeram na vida política, pessoal e social de um cidadão apelidado de mito. A partir dessa “descoberta”, a meta passou a ser o filho do mandatário, supostamente beneficiário da gangue comandada pelo tal Careca do INSS. A primeira falha foi apostarem na informação de que tudo começou no governo Lula.

Erraram feio, pois, segundo a Polícia Federal, o esquema foi iniciado em 2019, durante a gestão de Jair Bolsonaro, o qual recebeu e “cagou” para numerosos alertas de fraudes no INSS. Ficou por isso mesmo e, como não houve avanço algum, o pepino acabou estourando no colo do sucessor. Crasso e nem por isso menos grave, o segundo erro dos membros à direita da CPMI foi acreditar que, divulgando áudios envolvendo autoridades e o filho do presidente com o falido dono do Banco Master, a eleição de outubro cairia no colo do senador Flávio Bolsonaro.

O modus operandi da maioria dos integrantes da natimorta CPMI do INSS comprova uma antiga tese de que a política é o caminho para que os homens sem princípios possam dirigir os homens sem memória. Quase sem exceção, os discursos dos deputados e senadores vinculados aos ideólogos da direita buscam, além do personalismo, a ostentação, o ufanismo e o auto envaidecimento. Está na Bíblia que o fato de “fingir uma qualidade e de se vangloriar dela é uma confissão de não a possuir”. Tudo isso prova que o Brasil está sujo. Por isso, oremos antes de sair e agradeçamos ao chegar.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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