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Filhos de Thor e Odin

Créu neles, com direito a coice da eguinha Pocotó no ‘deus’ Erling Halland

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Assim como na política não há ninguém mais ingênuo do que um conservador/extremista sincero, no futebol há os menos entendidos no esporte bretão. Esses sabem que não sabem de nada, mas, ao contrário dos primeiros, não aceitam, sem questionar, o que meia dúzia de fanáticos lhes dão para dizer. Os que sabem pouco de futebol, pelos menos reconhecem que nossa seleção não é a melhor da Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá.

No entanto, os verdadeiros torcedores têm conhecimento de que, embora tenhamos chegado mais longe do que muitos imaginaram, não somos os piores. A “amarelinha” ainda assusta muita gente. O goleador Erling Halland que o diga. Sincero, ou falso mentiroso, o viking norueguês preferia qualquer outro adversário, menos o Brasil. Apesar de demonstrar confiança e otimismo, Halland vem empurrando o favoritismo do jogo do próximo domingo para o Brasil. Segundo ele, a partida será um desafio que seus companheiros precisam enfrentar, mas que as possibilidades de vitória são pequenas.

Sinceridade ou modéstia à parte, os mais velhos sabem que nosso histórico com eles não é lá muito bom. A Noruega é o único time que a Seleção Brasileira enfrentou mais de uma vez em jogos oficiais e nunca venceu. São dois empates e duas derrotas. A mais conhecida foi na Copa de 98, na França, quando Halland nem tinha nascido. Com 25 anos, o jovem atacante não viu, mas foi informado sobre a vitória de seu país por 2 a 1, ainda na fase de grupos.

No confronto do fim de semana, Halland terá como principal adversário o zagueiro Gabriel Magalhães, seu marcador mais temido na Premier League, onde ambos jogam: Magalhães defende o Arsenal, campeão da temporada 2025/26, e Halland é o artilheiro do campeoníssimo Manchester City. É fato que a Seleção Brasileira não é a mesma de outras Copas. Entretanto, ninguém pode culpar os jogadores ou a comissão técnica por um eventual fracasso nos gramados de Tio Sam, hoje perigosamente denominado de Donald Trump.

Atualmente, pelo menos três ou quatro países têm futebol tão vistoso quanto o do Brasil. Às vezes, bem mais vistoso. No meu sofá, na cadeira de pau duro do boteco ou de frente para a TV em promoção nas boas casas do ramo, mantenho o otimismo, a confiança e, principalmente, o patriotismo. Sou do povão e, como tal, depois da família e dos bons amigos, o que mais amo é o futebol. O problema é que eu e o povo não jogamos futebol. De qualquer maneira, continuamos torcedores, daqueles que, mesmo sem fanatismo, acreditam que nests domingo (05) será a vez do samba nas arquibancadas do Estádio East Rutherford, em Nova Jersey.

Portanto, a última remada dos vikings noruegueses não terá mais a participação da torcida, pois os fictícios remadores estarão urrando no caminho da fria e quase gelada Oslo. Como o futebol é uma caixinha de surpresa até certo ponto, não haverá imprevistos em Nova Jersey. Os “canarinhos” não são do tipo cavalo paraguaio, daqueles que empacam antes mesmo da largada oficial. Por isso, assumindo o bordão Brasil acima de tudo e de todos, minha previsão informal é muito mais do que patriota. O “Cometa Halland” vai virar uma estrelinha cadente e a famosa remada viking será engolida pela nossa Eguinha Pocotó. Para os noruegueses, a nova trilha sonora é créu, é créu, é créu neles. Rumo ao hexa.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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