O paradoxo de Zema
Críticas ao Planalto escondem desequilíbrio bilionário em Minas
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Em Minas Gerais, Romeu Zema encerra sua gestão com um rombo bilionário nas contas públicas: são mais de 11 bilhões de reais. O dado contrasta com o discurso adotado pelo governador, que se apresenta como símbolo de austeridade e equilíbrio fiscal. Ao final do mandato, porém, o que fica é a pergunta sobre como se constrói a imagem de gestor eficiente diante de números que revelam um cenário de forte desequilíbrio.
O contraste se torna ainda mais evidente quando Zema direciona críticas ao governo federal cobrando responsabilidade fiscal e rigor na condução das contas públicas. É legítimo defender equilíbrio orçamentário, aliás, é desejável. Mas a coerência exige que esse princípio seja aplicado também à própria administração. Quando Zema mostra um discurso diferente da prática, a narrativa da responsabilidade perde força e vira retórica vazia.
Agora, lançado como candidato à Presidência da República, o governador tenta ampliar seu projeto político para além das terras mineiras. A questão que surge é se o modelo que deixa um rombo de 11 bilhões em Minas é o mesmo que ele pretende aplicar ao restante do país. O debate eleitoral certamente passará por essa análise: experiência administrativa se mede por resultados concretos.