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A mala de livros

Das memórias que carrego comigo

Publicado

Autor/Imagem:
Simone Magalhães - Foto Francisco Filipino

Cresci nos porões da biblioteca
É. Ali no subsolo mesmo

De enciclopédias já velhas
Entre arquivos em VHS e obras raras

Do sssssilêncio descrito em cartazes
Do pensamento que não para
Da pesquisa que leva a… e leva a…

Esses dois últimos permanecem até hoje
Nem era preciso acelerar mais

Mudava a biblioteca
Mas lá estava eu
Para usar o PC ou vagar por entre os corredores

Livros novos ou nada obrigatórios
Não tinham
Mas, eu aproveitava, para fazer o dever de casa
E trabalhos mil

Na faculdade
Me perguntavam:
Você vai na biblioteca de novo?

É. Tímida, cara de séria
Só podia dar nisso
Mas, eu ia pra ver minha mãe
Estar no ambiente dela

Então, o trabalho ali
Era um pouco distração pra mim
E, principalmente, novas descobertas

Afinal, a solitude e a introspecção
Sempre me fizeram BEM!
E o ambiente acadêmico, então
Era o que mais me chamava a atenção!

Ali, em vários tempos (e faculdades)
Vivi uma espécie de ‘iniciação’
Saudade que agora tem um nome:
“Escreve, garota!
Ou melhor, leia o mundo”

À biblioteca
Eu ia após a aula

Para ver filmes, rascunhar algo
Encontrar colegas no intervalo
E até ter uma melhor amiga ‘bibliotecária’
Mas, era o sssssilêncio (sem dúvida)
Que mais sinto falta hoje

Do tempo pra…
Das ‘pausas necessárias’
Dos respiros na mente

Filha de bibliotecária
Por pouco não fui uma também
Todavia, cheguei a trabalhar
E tirar o registro de auxiliar

À biblioteca
Hoje vejo que carrego um pouco dela também
Das feiras de troca, dos textos escondidos na gaveta
Do ssssilêncio que brota
Para ouvirmos e focarmos
No que queremos ver crescer

À biblioteca e aos bibliotecários
O meu saudoso, obrigada!
É tempo de…

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