Curta nossa página


Lambedores de botas

Decadência de Trump pode decretar ocaso da tribo do mal no Brasil

Publicado

Autor/Imagem:
Armando Cardoso* - Foto de Arquivo

A sentença do ex-presidente norte-americano Donald Trump, condenado em 34 acusações, deve ser proferida nesta terça-feira (11). Ainda que seja condenado à prisão, provavelmente ele não será enclausurado. Estará livre para disputar a eleição contra Joe Biden, mas certamente perderá milhares de votos de eleitores simpáticos ao Partido Republicano, justamente o que defende ideias mais conservadoras. Torcendo escancaradamente pela vitória do bem, que vença o melhor ou o, no caso, o menos ruim. Na pior das hipóteses, que os EUA cuidem da vida de seus cidadãos e nos deixem em paz.

Foi-se o tempo em que tudo que era bom para os Estados Unidos era maravilhoso para o Brasil. Deixamos de ser somente o quintal deles, embora permaneçam os interesses, o respeito e a parceria energética e industrial, entre outros itens que fortalecem as relações entre as duas das quatro maiores nações das Américas. Perdemos o cabresto e, principalmente, o complexo de vira-latas em relação aos norte-americanos. Temos o direito de não gostar do presidente democrata Joe Biden. No entanto, coube a ele o reconhecimento do Brasil como país de peso internacional e com a necessidade de consolidar a democracia, consequentemente as liberdades negadas por déspotas golpistas que só enxergam até o próprio umbigo.

Os mais velhos lembram que nossa redenção ocorreu no esporte, mais precisamente no basquete masculino. Em 23 de agosto de 1987, no Market Square Arena, em Indianápolis, a Seleção Brasileira de Basquete, comandada por Oscar Schmidt, conquistou o título Pan-Americano justamente em cima dos EUA do então presidente Ronald Reagan. Foi um jogo histórico para o basquetebol mundial, pois representou a primeira vez que a seleção norte-americana masculina perdeu um jogo em casa.

Também foi a primeira derrota em finais e a primeira vez em que eles sofreram mais de 100 pontos diante de seus torcedores. Naquele dia em que o Brasil quebrou uma invencibilidade de 34 partidas oficiais do grupo americano, os brasileiros choraram com Oscar. Passados 37 anos, eis que novamente o Brasil se vê diante da possibilidade de se livrar definitivamente da tribo brasileira do mal. A decadência de Trump deverá consolidar definitivamente os laços com os Estados Unidos, sem precisar se colocar à disposição para fritar hambúrgueres para um de seus presidentes mais simpáticos à tirania.

Reitero que a viabilidade dessa chance ser decisiva começou com Joe Biden em 2020, logo após a derrota de Donald Trump, o magnata que, caso eleito, voltará a transformar o Brasil em curral do patriotismo golpista, sedentário e medíocre. Como na vida nada é por acaso, dois anos após o ocaso de Trump, boa parte dos brasileiros também expurgou da vida pública seus lambedores das botas, particularmente o que dizia amém antes mesmo de Trump concluir a oração. Depois de recuperar protagonismos e assentos perdidos em mesas de decisões mundiais, o Brasil dos brasileiros voltou a ser respeitado como importante parceiro comercial.

Os deuses conspiraram a favor e, mais rápido do que supunham os “patriotas” do pessimismo, conseguimos recuperar esta semana a condição de oitava maior economia do planeta. Contribuiu para isso a estimativa concreta de crescimento de 1,7% para 2,2%. Ainda é pouco, mas já estamos muito distantes do fiasco econômico de 2022, quando, em decorrência de um comando ineficaz, mesquinho, enfadonho e personalista, chegamos a ocupar a 11ª posição no ranking das maiores economias do mundo. Apesar dos despachos diabólicos dos defensores do caos, o Brasil mudou para melhor. Portanto, resta sugerir aos sedentos por poder que, antes de sucumbirem à raiva, engulam o choro. Afinal, o choro é livre.

*Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2024 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência Estadão, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.