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Mendonça sob fogo cruzado

Decisões que blindam clã Bolsonaro e soltam investigados

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@donairene13 - Divulgação

O jogo virou muito rápido para André Mendonça. O ministro do STF, que desde fevereiro é relator das investigações sobre o Banco Master na Corte, vinha ocupando uma posição de grande protagonismo no caso. Na terça-feira, 8, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da PF. Menos de 24 horas depois, porém, a decisão foi confrontada por um de seus próprios colegas: Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Dino e manteve Andrei Rodrigues provisoriamente no comando da PF.

A partir daí, a imagem de Mendonça também começou a mudar nas redes sociais. Cresceram as acusações de que o ministro estaria agindo politicamente, protegendo Flávio Bolsonaro e tomando decisões que atingem o governo Lula. Uma análise de grupos de WhatsApp e Telegram mostrou que as críticas à decisão de afastar Andrei superaram as manifestações favoráveis. Outro episódio citado por seus críticos ocorreu na campanha eleitoral: Mendonça suspendeu uma propaganda de Lula que utilizava o “Rap do Silva”. O ministro determinou a retirada daquela peça específica sob a alegação de que o nome do vice Geraldo Alckmin não aparecia.

Também passaram a ser lembradas suas decisões no escândalo dos descontos ilegais do INSS. Mendonça vem revisando prisões e medidas cautelares da Operação Sem Desconto e, nesta semana, autorizou a saída da prisão de investigados, entre eles o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Filho e um contador da Conafer, além de retirar tornozeleiras de outros suspeitos. Cada uma dessas decisões pode ter fundamento jurídico próprio, mas, politicamente, a sequência mudou a narrativa em torno do ministro. Quem até pouco tempo aparecia como o magistrado que cobrava explicações e avançava sobre o caso Master passou, de repente, a enfrentar ele próprio questionamentos sobre sua imparcialidade. Parece que o jogo virou para André Mendonça, e virou muito rápido.

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