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IneVinitável Júnior

Deixamos de ser potência do futebol, mas jamais seremos zebra em Copas

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso - Foto de Arquivo

Ainda bem longe do desfile de craques e do futebol vistoso de copas memoráveis, como as de 1970, 1986, 1994 e 2002, entre outras, o que estamos assistindo nesta 23ª. Copa do Mundo não é, como dizem alguns “patriotas”, do tipo “dark horse”, isto é, uma caixinha de surpresa ou própria para azarões. Muito pelo contrário. Dentro e fora de campo, o torneio dos Estados Unidos, Canadá e México poderia ser facilmente denominado de a Copa das estrelas.

Basta uma rápida passada d’olhos para encontrarmos nas arquibancadas desde cantantes do primeiro escalão a ex-jogadores da primeira prateleira. Nos palcos principais do espetáculo chamado Copa do Mundo, isto é, nos gramados, brilham estrelas francesas, argentinas, norueguesas, inglesas, holandesas e portuguesas. São figurinhas disputadas pela imprensa especializada, pelos fãs apaixonados pelo futebol e, hoje, pelos colecionadores de figurinhas alusivas à competição.

Há uma infinidade de grandes jogadores bailando pelos campos americanos, canadenses e mexicanos. Entretanto, nem todos são protagonistas. A maioria não é figuração, mas atua como escada para os companheiros mais clássicos. Sem desmerecer nenhum dos atletas, lendas mundiais valiosas com a pelota nos pés, na cabeça e nos gols atualmente são poucas. Lionel Messi, Harry Kane, Erling Halland, Kylian Mbappé, Kevin De Bruyne, Luka Modric, Lamine Yamal, Memphis Depay, Ousmane Dembélé, Désiré Doué, Cristiano Ronaldo, Neymar Júnior e Vinícius Júnior.

Forjado na cobertura esportiva diária, particularmente no futebol, posso estar ultrapassado, mas continuo com capacidade cognitiva e funcional para distinguir os pernas de pau dos ases, gênios e especialistas com a pelota. Tanto uns quanto os outros, a gente vê, sem a necessidade de que alguém nos mostre. Vi, convivi, acompanhei e entrevistei Pelé, Zico, Rivelino, Gerson, Garrincha em fim de carreira, Júnior, Nunes, Leandro, Tita, Andrade, Jairzinho, Toninho Cerezo, Tostão, Paulo César Caju, Roberto Dinamite, Carlos Alberto Pintinho, Mozer, entre centenas de outros símbolos do futebol-arte.

Por razões estritamente profissionais, me distanciei dos “peritos” da nova geração, incluindo os de 1994 e 2002. Mesmo distante, rendo todas as homenagens a Romário, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho, Roberto Carlos, Bebeto, Dunga, Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Kaká e Ricardinho. Decidi me limitar ao Brasil, pois, se optasse por citar os que vi ao redor do mundo, talvez levasse algumas semanas para nominá-los. É verdade que não somos mais os mesmos. Também é verdade que a “amarelinha” não amedronta mais nenhum adversário. Nosso legado se esvaiu.

Hoje nos falta força, competitividade e, talvez, a vontade de vencer que sempre foi nossa marca registrada. Todavia, nunca aceitaremos ser conduzidos e jamais seremos de zebra em copas do mundo ou em qualquer competição envolvendo as quatro linhas. Nem na política. Partiram ou se aposentaram o inimitável Pelé, o inigualável Garrincha, o incomparável Zico, o adorável Rivelino, o admirável Júnior e o inesgotável Tostão. Para nossa sorte, restam o indispensável Neymar Júnior e o ineVinitável Vinícius Júnior, o menino pobre de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que hoje enobrece os estádios e enriquece as plateias do planeta azul.

Com Vini Júnior em estado de graça, brilhamos na vitória por 3 a 0 sobre os escoceses. Com ele, certamente iremos mais longe. É cedo para dizer que recuperamos a paz futebolística, que voltamos a ser imbatíveis e que somos novamente os maiorais. Porém, não há o que discutir quanto a certeza de que o escrete canarinho voltou a ser respeitado no mundo do futebol. Pelo menos o hexa não está mais tão distante como estava.  Que venha o Japão, mas que venha de olhos bem abertos.

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Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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