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Paraquedistas e brincalhões

Democracia faz da Presidência um brinquedo sem controle

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Em que pese eu defender até a morte a tese de que todo cidadão apto e em dia com a lei pode sonhar com a Presidência da República, temo pelos exageros da democracia. Na verdade, pelas falhas. Ou seja, defendo, mas me preocupa a presença de qualquer um na disputa pela incômoda, inglória e dificílima tarefa de governar um país com mais de 210 milhões de pessoas sem distingui-las. Ao longo do tempo, o posto e o trabalho decorrente dele se mostraram difíceis para uns, complicados para outros, impossíveis para dois ou três e um brinquedo sem controle para um.

Para os paraquedistas e para os brincalhões, ficou provado que o resultado das urnas credencia o vencedor à função, mas não garante o almejado sucesso na empreitada presidencial. Tudo por conta da ausência de competência, da improbidade, da intolerância política, das mentiras, da má gestão e, em alguns casos, da junção de todos esses quesitos negativos. Fora os que ficaram pelo caminho, há aqueles que tentaram, tentaram e deixaram o Palácio pela porta dos fundos ou saíram sem chance alguma de voltar.

Desnecessário nominá-los, pois, desde já, seus nomes se perderam na poeira do Cerrado e, a bem da verdade e da coerência pública, não passam de verbetes nos livros de história contemporânea do Brasil. Mesmo eleitos, esses não entenderam que governar exige habilidade ou força de articulação para gerir coalizões e lidar com interesses divergentes. Na literatura política, a primeira lição estabelece que aprender a dominar é muito mais fácil do que ensinar a governar.

É justamente no epílogo que mora minha preocupação sobre a tal governabilidade. Está escrito que, para os sem competência no poder, não há regras e nem forma de governo. Em vez disso, a ciência do bom governo se transforma na arte da conquista e da conservação do poder por meio da força. Das duas tentativas, uma não deu certo. Na verdade, deu tudo errado desde o início da gestão. Como dizem os pensadores, nenhum poder governamental pode ser “abusado” por muito tempo.

Triste daqueles que fogem do debate, esquecem de resolver as questões sociais e passam todo o mandato vendendo, ganhando e lucrando com a continuidade dos problemas. No Brasil das idiossincrasias, já tivemos governantes bons, espertos, mais ou menos, ruins e zarolhos, isto é, aqueles que, apesar de temidos pela maioria e amados pela minoria, sequer conseguiram governar a si mesmos. Ainda que sejam detestados pelos que exageram no patriotismo, o melhor governo é o que mais convém ao povo. É o menos imoral.

O governante bom precisa de muita competência e um máximo de sapiência para deixar o povo mais tempo em paz. Pode ser utopia, mas também se exige a capacidade de não ter medo de descontentar aliados e oposicionistas. Todos os que se perderam no labirinto do Planalto optaram pela compra exagerada de apoio e acabaram se esquecendo de governar. No fim, sem perceber a impossibilidade de se governar sem ferir interesses, comprometeram e prejudicaram a governabilidade. Antes de se candidatar, os herdeiros dessa fórmula parasitária de gerir uma nação precisam ser informados da necessidade de aprender a governar a si antes de governar os outros.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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