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Flechas

Depois que inventaram a palavra “desculpa”…

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Autor/Imagem:
Tania Miranda - Foto Francisco Filipino

Nossas palavras são, mais ou menos, como as flechas. Depois que saem de nossa boca, não há mais como retornar. E sempre causam estragos, se não forem bem pensadas antes do disparo…

Meio confuso esse início, não é mesmo? Bem, isso é normal… afinal de contas, ainda estou tentando encontrar a maneira correta de explicar aquilo que não tem explicação…

Muitas vezes a frustração, por um ou outro motivo, nos faz dizer coisas das quais nos arrependemos mais tarde. Mas o estrago já está feito. Há como corrigir? Às vezes. Depende do quão rachada ficou a taça de cristal onde se depositava a confiança entre os elementos…

Existem vários tipos de pessoas transitando por esse nosso plano. Cada um com seu modo peculiar de ser. Cada um com sua maneira própria de agir, quando se sente frustrada por um ou outro motivo. Alguns guardam sua frustração para si, outros a expõe para que todos saibam o quão chateados ficaram com algum evento que não se realizou exatamente como esperava… faz parte de nossa índole…

Normalmente só expomos nossa frustração para aquelas pessoas nas quais, por um motivo ou por outro, confiamos. O problema é que nem sempre temos uma relação de proximidade com o outro elemento, que justifique tal confiança. Pois este jamais deu abertura para tal. Mas, por um motivo ou por outro, não bem explicado pela nossa psique, nos sentimos à vontade para dizer aquilo que realmente sentimos, mesmo que o bom senso recomende que fiquemos calados…

Acontece. Não deveria, mas por mais que nos policiemos, acaba por acontecer. E depois que tudo se finda, só nos resta fazer um pedido de desculpas, mesmo sabendo que a parte ofendida tem todo o direito de recusar-se a desculpar. Sim, porque erramos com a pessoa. E ela tem todo o direito de aceitar ou não nos perdoar, mesmo porque esta jamais deu qualquer aval para que fôssemos sinceros ao extremo com esta. Principalmente se a mesma não tinha nenhuma culpa no Cartório sobre o evento em questão…

Nosso problema é que sempre procuramos um bode expiatório para podermos desabafar. E o desabafo nem sempre vem com palavras polidas. Mesmo sabendo que nosso interlocutor não tem culpa alguma de nossas expectativas, que este não tem poder para modificar aquilo que gerou tal frustração, acabamos por descarregar sobre essas nossas queixas…

Quando criança sempre me diziam para contar até mil quando quisesse dizer alguma coisa não agradável para alguém. E até cem mil, se ao final da contagem o ímpeto de falar o que não devia continuasse forte. Mas infelizmente nem sempre seguimos esse conselho, que poderia evitar mil dissabores. E no final, só nos resta fazer um pedido de desculpas… mas desculpas não apagam o mal que causamos com nossas palavras, não é mesmo?

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