Curta nossa página


Observação realista

Devaneios de Valdemar deixam eleitor descrente

Publicado

Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Em nome do desamor à nação, Flávio Bolsonaro, seus familiares e seguidores transformaram o Brasil em local preferido para pisotear. Por consequência, o presidente da República, Lula da Silva, é a principal da trupe do mal. Apesar de acharem o contrário, não pode ser do bem alguém que deseja afundar o país que diz mar. Aprendi na escola primária que patriotismo é o sentimento de amor, orgulho e devoção à pátria. É o afeto sincero pelo lugar onde se vive que une as pessoas por meio do respeito à cultura, à história e aos símbolos nacionais, como a bandeira e o hino. Mesmo sendo acusado de romantizar problemas, lembro que o termo patriotismo significa priorizar o bem-estar da população, ou seja, lutar para ver o compatriota com saúde, educação e justiça.

Antes de prosseguir, rogo para que não confundam patriotas com nacionalistas, os quais, na ânsia de focar na força política, acabam gerando divisões entre quem é ou não da nação. Sintetizando, o nacionalismo é o desejo encubado de pertencer a um grupo por conta de vínculos raciais, linguísticos e históricos. Com relativa frequência, os nacionalistas reivindicam o direito de formar uma nação autônoma. Poucos devem se lembrar do movimento separatista do Rio Grande do Sul entre os anos de 1835 e 1845. Exclusivamente por motivações econômicas, culturais e históricas, com destaque para a Revolução Farroupilha, os gaúchos se achavam (ou se acham?) superiores.

O tempo passou, mas, mesmo debaixo d’água, alguns nativos insistem com a máxima de que O Sul é o Meu País.

Quase dois séculos depois, o Brasil voltou a se dividir. A diferença é que o separatismo de hoje é baseado na estupidez, na ignorância e no autoritarismo. O país não é mais o mesmo desde que a parte brasileira que se acha proprietária do Brasil decidiu transformar em seita um cidadão que se apossou de duas legendas partidárias para se perpetuar no poder. Eles não conseguiram formalizar a divisão, mas, oficiosamente, se declararam independentes do Brasil que preza pela liberdade democrática.

Para o bem do Brasil da maioria, a reciprocidade é verdadeira. Como acreditar em uma família ou em aglomerado de políticos e de cidadãos que só pensam em dividir para somar vantagens pessoais? Como aceitar uma candidatura que se aproveita do foco da confiança cega para evitar a observação realista? Como admitir um presidenciável cuja maldade consciente e deliberada colou em seu dia a dia uma incapacidade crônica de pensar no macro? Por fim, como entender um postulante ao cargo máximo do país que, em lugar de buscar a validação da harmonia nacional, prefere negociar acordos claramente prejudiciais à nação?

Mais relevante do que todas estas indagações é buscar respostas para um clã que trabalha diuturnamente para consolidar uma base eleitoral própria dentro de um partido sem histórico algum de retorno administrativo, político e econômico para o Brasil. Fora as emendas parlamentares com destinação pessoal, qual a contribuição do ex-deputado federal Valdemar Costa Neto, presidente do PL, para o povo brasileiro? Nenhuma! O Google e os arquivos da Câmara Federal me garantem a afirmação. O que ele sempre fez bem foi negociar espaço no governo federal e recursos públicos para o além.

Pois é justamente esse suposto líder partidário o responsável por tentar impor um parlamentar com atuação pífia e reprovável como o homem capaz de governar um Brasil que ele sabe que só representa pela metade. Talvez um terço. Apesar de seus bons números nas pesquisas de intenção de votos, o que leva um segundo membro do clã que negocia tarifaços contra o Brasil a se achar capaz de gerir uma nação bem maior do que uma casa de chocolates? Eles já tentaram e fracassaram de forma retumbante. O famoso ditado “quem não tem competência, não se estabelece” reflete a realidade nacional.

Como acreditar em um candidato que sequer tem boas intenções em relação ao país que pensa governar? Vem daí minha perplexidade com a falta de patriotismo dos nacionalistas que ainda veem boas intenções em quem só alcançará o prazer absoluto quando vir o Brasil virar um inferno. Embora as utilize como narrativas de protesto, certas atitudes e decisões não merecem mais do que o meu silêncio. O problema é que uma atitude errada pode estragar dias, anos e até séculos. Então, tomemos cuidado, porque nem todo lápis vem acompanhado de uma borracha. Diante das besteiras produzidas pelo clã Bolsonaro e face à escalada ditatorial do bolsonarismo, melhor deixar o democrata Lula quieto.

………

Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978   

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.