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Meu filho

Diagnóstico não é sentença

Publicado

Autor/Imagem:
Ana Paula Rocha - Texto e Foto

Não é confortável para ninguém receber um diagnóstico, seja de uma enfermidade própria ou de alguém que amamos. Imagine, então, o que vem com um diagnóstico para o seu…

Seja filho de sangue ou filho escolhido e permitido.

Outro dia, ouvi uma conversa, e algo me chocou muito. Uma das pessoas disse:

— Ah, agora está na moda o autismo. É desculpa para muita mãe!

Ao mesmo tempo em que uma revolta subiu, tentei refletir sobre a fala dela. Seria apenas um comentário infeliz? Quem escolheria ser especial? Quem escolheria um laudo que traz julgamentos eternos?

No meu caso, nunca foi escolha. Nunca foi uma opção.

Recebi o diagnóstico após situações denominadas como desregulação.

Novos termos surgiram. O que, para mim e para o meu esposo, era apenas birra ou pirraça ganhou outro significado.

Não deixei claro até aqui, mas meu filho escolhido me adotou também, com um olhar muito pessoal, quando tinha apenas seis meses. O título de mãe chegou no Dia das Mães para completar a minha vida. Um outro título chegou recentemente para tirar o meu chão.

Nunca imaginei passar por tal situação. Mas ser mãe de um autista me trouxe muito mais medo, pavor e insegurança do que eu poderia imaginar.

As chamadas da escola e as brigas com os coleguinhas passaram a ser constantes. E, por muitas vezes, me peguei julgando a mim mesma:

— Como eu não vi? Onde errei? Como deixei passar tantas informações que algumas pessoas notaram tão claramente? Após as lágrimas — e foram muitas, por sinal —, uma amiga me disse:

— Diagnóstico não é sentença!

Mãe de atípico, sim. Isso não me cura, mas me engrandece, mesmo nos momentos de fragilidade. Não é pelos benefícios sociais nem para despertar pena. É por mim e pelo meu filho.

Estamos apenas começando. E a insegurança bate a cada ligação. Será que vou dar conta?

Mesmo com todas as terapias e acompanhamentos, vivo um dia por vez, na esperança de encontrar mais apoio, menos julgamentos e de não carregar culpa alguma em minha mente.

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