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Interesses particulares

Diferença entre direita e esquerda é o sujeito

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Autor/Imagem:
Heliodoro Quaresma - Foto de Arquivo

Da mesma forma que a direita é infinitamente maior do que o bolsonarismo, a esquerda deveria ser tão ou mais importante do que o lulismo. Deveria, mas não é. Associada ao verbo, ao predicado e ao complemento, a diferença básica é o sujeito. Didaticamente, o democrata Luiz Inácio Lula da Silva é politicamente muito mais importante do que o golpista Jair Messias Bolsonaro. Mais enfaticamente, embora tenha espaço garantido na política nacional, o PT certamente encontrará alguma dificuldade para sobreviver sem Lula.

Quanto ao PL e demais legendas que orbitam à direita ou ao centro de Jair Bolsonaro, duvido que algum parlamentar normal esteja verdadeiramente motivado, preocupado ou trabalhando para anistiar o ex-presidente. A aprovação da dosimetria ou coisa que o valha é, obviamente, uma luta de interesses particulares. Ou seja, é cada por si e a maioria tentando tirar o seu da reta dos ministros – ou de alguns ministros – do Supremo Tribunal Federal. O dos outros que se tranque como puder.

Nenhum deles fala abertamente, mas, no recesso do lar funcional ou sob os lençóis macios e sedosos comprados na Havan, certamente todos olham na direção do prédio do STF e dizem: No meu não, Xandão! Me inclua fora disso! Faz parte da falsidade do jogo orar com e para Bolsonaro, Valdemar Costa Neto ou qualquer uma dessas figuras que nada acrescentam à política nacional. Daí para admitir sorrindo ir para o buraco com Bolsonaro é outra longa e inverossímil história.

Há bobo para tudo, mas nem todo bobo aceita tudo. Ser ou não ser de direita ou de esquerda, eis a questão. Parto do pressuposto psiquiátrico de que esse conceito fica restrito às nossas cabeças, pois, nas negociações de bastidores, normalmente os políticos já têm seu lado definido: o deles. Desde que seja correto e respeitador do direito alheio, tanto faz. O problema é ser extremista. Esse é intolerante, individualmente idealista, fanático e costuma se colocar acima de seus opositores na escala da humanidade. É um mercador de escravos.

Nas intermináveis e agressivas discussões sobre conservadorismo e vanguardismo, consegui descobrir que nem todo evangélico é conservador e nem todo conservador é evangélico. Com poucas chances de expor meus pontos de vista, também tive a oportunidade de perceber que ambos nutrem pouquíssimas simpatias pela democracia. Pelo menos tenho a certeza de que, no grupo dos progressistas, não há hipótese de um deles torcer por golpismos ou apoiar golpistas. Certo de que fiz a melhor escolha, volto à diferença entre os integrantes de um e de outro segmento ideológico.

Sabidamente, um requer convicção e motivação, enquanto o outro exige exclusivamente membros vocacionados para a ocasião. Esses mudam de lado conforme o valor acertado. Na verdade, não adianta ser de esquerda ou de direita se a gente não for um bom ser humano. Na dúvida, o melhor mesmo é seguir uma linha reta. “Companheiro” diário da política e dos políticos, não conheço um simpatizante da democracia que tenha virado casaca, isto é, que tenha sentado praça na direita e, por extensão, aderido ao golpismo. Dito isto, quem é o bom e quem é o feio? Com a palavra o eleitor consciente!

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Heliodoro Quaresma, jornalista aposentado, mantém uma velha Remington como troféu na estante de sua sala, e usa um Notebook novinho para escrever análises para Notibras

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