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Igualdade utópica

Direita anda perdida no próprio labirinto

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Autor/Imagem:
Wenceslau Araújo - Foto de Arquivo/Valter Campanato

Perdida, desequilibrada, sem o apoio público de Donald Trump e sem perspectiva de união, a extrema-direita caminha em círculos, não consegue sair do labirinto lotado de mentiras, corre atrás do próprio rabo e, em vão, tenta inverter a ordem e morder o cachorro. Sumido do noticiário, o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, parece bêbado ou cego no meio dos frequentes tiroteios nas comunidades periféricas do Rio de Janeiro do encalacrado ex-governador Cláudio Castro.

Embora esconda do distinto público denominado patriota, Valdemar está cada vez mais disposto a chutar o balde e tirar Flávio Bolsonaro da rinha, de modo a impedir que a vaca vá para o brejo e que o sapo cresça, se antecipe, chegue no charco e pape a perereca antes da abertura das urnas. Tudo indica que o grande problema do czar do PL é a falta de um nome que pelo menos se apresente como azarão e consiga conter o galope articulado e cirúrgico de Luiz Inácio rumo à quarta encarnação na Presidência da República.

Esperto e certo de que suas bancadas na Câmara e no Senado tendem a diminuir caso insista em candidatos próximos da ribanceira bolsonarista, Costa Neto sabe que apostar no narcisismo, na falta de tino e no solucismo continuado da família Bolsonaro é o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Por isso, ele dorme, acorda e sonha com uma terceira via à direita, mas menos ruidosa, menos extremista e menos mentirosa para disputar o Palácio do Planalto com um mínimo de chances.

Buscar atalhos para chegar em outubro em igualdade de condições com Luiz Inácio Lula da Silva é utopia pura. Se a ideia é essa, é melhor tirar o cavalinho da chuva desde já. Também não acho que, mesmo juntos, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema possam brigar com Lula no mesmo tatame. Sobra para o ringue eleitoral um tal Renan Santos, conhecido por ser um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL).

Presidente do Partido Missão, ele se posiciona no campo da direita liberal e ao centro, com foco em agendas de livre mercado, privatizações, meritocracia e forte oposição a pautas de esquerda. Até aí, morreram Neves, Malufs, Rabelos, Joaquins e todos os que se aventuraram a subir a rampa do Planalto. O lado bom do desconhecido e obscuro Renan Santos é o fato de ser oposicionista do ex-presidente Jair Bolsonaro, consequentemente do candidato Flávio Bolsonaro.

Melhor ainda é ele ser contrário ao bolsonarismo e a rótulos ideológicos. Não tivesse opinião formada e registrada em cartório sobre minha preferência eleitoral, votaria nele de olhos bem abertos. Afinal, ser contra a extrema-direita e contra a família Bolsonaro faz parte do meu show meio bossa nova, meio rock ‘n’ roll.

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Wenceslau Araújo é Editor-Chefe de Notibras

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