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Servir a si mesmo

Discurso raivoso afasta canadidatos ao Planalto

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Quem é o presidente do Brasil? O democrata e civilizado Luiz Inácio da Silva. Quem quer ser o presidente do Brasil   a partir de 1º. de janeiro de 2027? Lula da Silva, os também civilizados Ronaldo Caiado e Romeu Zema e o neófito raivoso Renan Santos. E quem quer ser o dono do Brasil a qualquer preço? O clã Bolsonaro, ora representado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), aprendiz de feiticeiro, estagiário da maldade e auxiliar direto e indireto dos falsos profetas, aqueles que, em lugar das prometidas flores, só plantaram ervas daninhas. Por isso, hoje estão colhendo espinhos. E dos grossos.

Antiga, pública e descaradamente anunciada, minha posição se mantém inalterada desde 2018 e permanecerá assim até o dia em que a tal família for informada de que eleições, particularmente a presidencial, se ganha com propostas, ideias e votos. No Brasil de 2026 não há mais espaço para candidaturas arcaicas, tirânicas e que se acham no direito de buscar meios escusos para se eleger. Maracutaias, manobras políticas, mentiras, ameaças, gritos e pedidos de socorro à “amiguinhos” de fora também não servem mais como modelo de campanha. Traduzindo, no Brasil de 2026 não há espaço para candidatos que não servem para servir.

Estas são as razões para que eu e centenas de milhões de eleitores brasileiros prefiram eleger um poste, uma árvore sem raiz, um rinoceronte ou um macaco-prego a alguém que aprendeu a, egoisticamente, só ver o próprio umbigo. É o caso de Flávio Bolsonaro, o 01 que, a exemplo do pai, prioriza interesses pessoais ou eleitorais em detrimento das necessidades coletivas da população. Qualquer brasileiro comum percebe que as decisões políticas e os discursos do primogênito do clã visam exclusivamente à autodefesa jurídica ou a ganhos de aliados próximos.

Como diz aquele famoso ditado político, “aos amigos, os favores; aos inimigos, a lei” e, se possível, a morte. Como todos os brasileiros se lembram, ela (a morte) só não ocorreu por obra e graça do destino. Por mais que tentemos, não há como negar que as pautas defendidas por Flávio Bolsonaro, entre elas projetos de anistia irrestrita aos vândalos de 08 de janeiro de 2023, têm foco na defesa jurídica do pai, em sua própria e, principalmente, na busca de mais capital político.

Seja de direita, de esquerda ou de centro, um bom presidente da República precisa de preparo para governar uma nação continental de 213 milhões de habitantes. Para assumir a principal cadeira política do país não basta ter sido parlamentar por uma ou duas décadas. É preciso muito mais do que isso. Além de carisma e empatia com o povo, o candidato a mandatário do Brasil tem de tentar orientar a sociedade e não a agredir de forma intempestiva e até grosseira.

Seguindo o mesmo caminho traçado pelo pai em 2018, Flávio 01 Bolsonaro, em vez de prometer governar para todos, inclusive para os que votam nele, cada vez mais se volta para uma parcela minoritária da sociedade. O que sobra para os demais é um discurso raivoso e sempre ameaçador. Lembrando uma das mais famosas frases de Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018, Deus parece novamente pronto para agir em favor do diabo bom de nossos dias. Para quem não se lembra, pouco antes de ser derrotado por Lula da Silva, Bolsonaro afirmou de pés juntos que só Deus o tiraria da cadeira presidencial. Com a ajuda de milhões de eleitores, Deus o tirou no dia 30 de outubro de 2022. Tudo indica que o serviço será concluído no próximo dia 3 de outubro.

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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