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Vozes da Literatura

Dorilda Almeida, a escritora que conquistou a Feira de Frankfurt

Publicado

Autor/Imagem:
Eduardo Cesario-Martínez - Fotos Arquivo Pessoal

Para a escritora, psicoterapeuta e filósofa baiana Dorilda Sousa de Almeida — amplamente reconhecida no meio artístico como Dorilda Almeida —, o ato de escrever é uma tessitura viva que entrelaça sensibilidade humana, vivência e disciplina afetiva. Natural de Jacobina e radicada em Salvador, a autora acumula uma trajetória sólida de projeção internacional, que vai desde ter seu célebre texto A Vida da Palavra selecionado para concursos públicos oficiais no Brasil até o lançamento de sua obra A Casa das Memórias e o Quintal de Todos Nós na prestigiada Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Membro de diversas academias de letras nacionais e internacionais, Dorilda utiliza sua bagagem multidisciplinar em prol da educação e dos direitos humanos, transformando os fatos reais do cotidiano em pura expressão artística.

Nesta entrevista exclusiva para a coluna Vozes da Literatura, a colunista do prestigiado Jornal Cultural ROL reflete sobre a democratização e a independência que a circulação digital trouxe para os escritores contemporâneos, rompendo barreiras geográficas tradicionais. Com o mesmo entusiasmo de quem se prepara para receber mais um prêmio da FEBACLA no Rio de Janeiro e para mediar rodas de conversa com jovens estudantes, Dorilda detalha seu processo criativo livre de amarras e rotinas rígidas. Acompanhe este diálogo enriquecedor sobre o autoconhecimento na escrita, a autonomia dos personagens e o poder transformador de quem compreende que, no universo literário, quem não se envolve, não se desenvolve.

Qual foi o primeiro gesto de escrita que, hoje, você reconhece como decisivo em sua trajetória? O que o levou a tornar seus textos públicos?

Foi quando eu participei de um concurso da Litteris Editora do Rio de Janeiro e fui bem classificada para a participação de uma Antologia e que depois em comemoração ao aniversário da editora, eu fui selecionada para participar da Seleção de Textos, além desse texto A Vida da Palavra, ser o texto da prova de português do concurso da Cesgranrio para Assistente em Ciências e Tecnologia em 2008, o livro ficou arquivado na Fundação Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Como também, escrevi uma poesia para o meu pai e todos gostaram e acharam que deveria ser publicada.

Entre conto, crônica, poesia, artigo ou outra forma de escrita, em qual gênero você encontra maior liberdade e precisão para dizer o que deseja? Por quê?

Tanto a modalidade poesia, conto e artigo, penso que consigo comunicar bem o meu pensar como também os meus sentimentos e emoções.

“A vivência, a observação e a experiência são muito importantes para quem escreve”

Quais são as fontes mais recorrentes de sua escrita: experiências pessoais, observação do cotidiano, memória, leitura de outros autores, pesquisa, diálogo com outras artes ou algo diferente?

Todos esses pontos são fundamentais, pois, a vivência, a observação e a experiência são muito importantes para quem escreve.

“Vivo sempre à disposição dos fatos reais para serem transformados em arte”

Que condições de trabalho sustentam a sua produção literária? Você depende de rotina, metas e reescrita ou costuma partir de estímulos mais circunstanciais?

Eu tenho uma capacidade de imaginação, criatividade e flexibilidade que me ajuda muito, vivo sempre à disposição dos fatos reais para serem transformados em arte em qualquer momento da minha vida, sem muita rotina, mas com disciplina e organização, mas com leveza.

“Às vezes, quem dá o rumo da história são os personagens”

Quando trabalha com ficção narrativa, como você descobre o que uma personagem quer, teme ou esconde? Em que momento percebe que ela se tornou suficientemente complexa para sustentar a história?

São necessários cuidado e observação para perceber as nuances da história e ver o encaixe dos personagens e o que eles querem expressar. Às vezes, quem dá o rumo da história são eles, os personagens, eu, escritora, vou alinhando e costurando, fazendo a tessitura, até ficar satisfeita com o texto.

Como funciona a revisão no seu processo? O que costuma mudar de modo decisivo entre a primeira versão de um texto e aquela que você considera publicável?

Leio várias vezes, saber se o texto está compreensível ao leitor, depois faço a revisão gramatical, gosto do texto bonito e claro. Para publicação é necessário eu gostar muito, tenho sempre esse cuidado.

“O Jornal Rol é de grande qualidade”

O que a publicação no Jornal Cultural ROL alterou — ou confirmou — em sua relação com a escrita, com os leitores e com outros autores de língua portuguesa?

Veio somar de modo significativo, pois o Jornal Rol é de grande qualidade, com a referência ímpar da personalidade que o criou e agora por manter no mesmo nível de cultura e conhecimento pelo editor- chefe atual que o representa tão bem. Além do mais, nós como autores da língua portuguesa possamos fazer esse intercâmbio com outros países, outras línguas, é um grande crescimento para nós como também para quem tem acesso às nossas obras.

Há algum retorno de leitor recebido por meio do ROL que tenha mudado sua percepção sobre um texto, sobre o público ou sobre a função daquilo que escreve?

Sim. A partir do momento que a sua obra é lida e comentada, você vai observando a mensagem e o que o leitor quer dizer. É necessário, sensibilidade, compreensão e alegria e dar um retorno sempre.

Na prática, o que os jornais culturais independentes e a circulação digital tornam possível para um escritor hoje? Quais barreiras de acesso, visibilidade ou remuneração continuam presentes?

Observo que houve uma democratização nesse sentido de colaboração com o escritor e com isso criou uma independência para que este publique a sua obra livre do filtro de grandes editoras tradicionais. Um texto publicado na internet pode ser lido em qualquer parte do mundo, quebrando às barreiras geográficas.

Para quem publica tanto no Jornal Cultural ROL quanto no Café Literário/Notibras: que diferenças você percebe entre esses públicos e entre as formas de recepção dos textos em cada veículo?

Penso que depende de quem participa e de quem lê, pois se o leitor estiver aberto a participação, vai colher os frutos, mas acho necessário, quem publica se preocupar com o interesse do leitor no que tange a divulgação da sua obra.

Que sentido há em manter ficção, poesia e crítica cultural dentro de um portal jornalístico marcado pelo fluxo das notícias? Essa convivência altera a maneira de escrever, editar ou divulgar literatura?

Penso que não. Cada escritor deve manter a sua forma de escrita independentemente do portal, pois é importante e necessário variar para que possa satisfazer e agradar os seus leitores.

Qual é, hoje, o obstáculo mais concreto para um escritor independente formar leitores recorrentes? Que estratégia tem funcionado — e qual você considera superestimada?

A internet é um meio poderoso. O escritor que não divulga o seu trabalho nas plataformas culturais fica invisibilizado. Eu participo de Feiras Literárias, Bienais de Livros, Lives, Entrevistas, Jornais da Cidade, Programas de TV, Programa Focus Brasil Foindation e em 2025 eu lancei o meu livro A Casa das Memórias e o Quintal de Todos Nós, em Frankfurt, na maior feira do livro na Alemanha.

Ao imaginar alguém lendo sua obra, que tipo de experiência você espera provocar? Há efeitos que você deliberadamente evita buscar no leitor?

Precisa ter um entendimento do meu pensar, adquirir conhecimentos humanitários e bons sentimentos. Mas, também, nós não devemos querer dominar o sentimento, a emoção de cada um, cada pessoa é única, quem lê o seu texto deve entender à sua maneira e imaginar da sua forma.

Há um projeto em curso — livro, coletânea, pesquisa, novo gênero, revista, oficina ou outra iniciativa — que ajude a compreender o momento atual de sua escrita?

Estou organizando o projeto Uma Roda de Conversa num colégio de ensino médio sobre o tema O Processo Criativo da Escrita, numa feira de livros. Eu participo de várias atividades literárias, esse ano no mês de agosto estarei viajando ao Rio de Janeiro receber um prêmio pela FEBACLA.

“Precisa ler, ler é fundamental”

Que prática, escolha ou disciplina você recomendaria a quem começa a publicar agora? E que conselho comum sobre escrita você considera insuficiente ou enganoso?

Precisa ler, ler é fundamental, ler os clássicos, apurar a observação e, não ter pressa, se autoconhecer para descobrir do que gosta e a sua modalidade e não ter medo de se arriscar, eu costumo dizer: – “Quem não se envolve não se desenvolve”. Eu não gosto de dar conselho, mas se pedirem uma orientação, eu diria que se você quiser mesmo ser uma escritora, se prepare, estude, pois nada cai do céu, pois, escrever precisa de habilidade, competência, imaginação e criatividade.

Que pergunta sobre sua escrita ou sobre a literatura contemporânea deveria ter sido feita nesta entrevista e ainda não apareceu?

Acho que foram perguntas objetivas e inteligentes sobre o mundo da escrita. Muito feliz em poder participar dessa entrevista, que me fez refletir sobre o meu papel de escritora da minha contribuição num mundo melhor. Obrigada!

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Dorilda Sousa de Almeida, natural de Jacobina (BA) e radicada em Salvador, é mais conhecida no meio literário como Dorilda Almeida. Escritora, poetisa, psicoterapeuta, filósofa, professora e coordenadora geral do CEDHIA, é também especialista em Direitos Humanos e Educação. Possui artigo publicado na Revista Neurociência e Psicologia e é coautora das seguintes obras: Antologia Literária, E Por Falar em Amor, Seleção Especial de Textos e Talentos Brasileiros 2004. Seu texto Vida da Palavra foi incluído na prova objetiva do Concurso CAPES/ CESGRARIO. Membro de várias academias de letras e artes, nacionais e internacionais. Colunista de revistas nacionais e internacionais e do Jornal Cultural Rol. Coordenou a Exposição de Livros Alemães do Goethe Instituto Salvador. Detentora de diversos prêmios, troféus, medalhas e condecorações. Título de Baronesa, concedido pela Augustissima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente. Comenda Paladino da Educação Brasileira. Educador de Excelência pela FEBACLA (2025) Dra. h. c. em Educação (2023 e Direitos Sociais e Humanitários (2022) pela FEBACLA. Autora do livro Entusiastas Palavras – Conexão Amorosa, lançado na Bienal do Livro Bahia (2022). Lançou o seu o livro, A Casa das Memórias e o Quintal de Todos Nós em Frankfurt na Alemanha e recebeu o prêmio internacional Personalidades do Ano Frankfurt (2025). Participou do Programa Focus Brasil Foundation (2026).

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