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Vazio

E aí, carinha?

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Autor/Imagem:
Gilberto Motta - Foto Tasso Scherer

Voltar para casa como se fosse apena um retorno e pensar que encontraria a casa e as pessoas e tudo nada é além de tudo o que passou e se passou jamais voltará e tantas estradas que se abrem por aí e caminhamos feito fortes e fracos humanos e se não há caminhos pra voltar a gente pensa o quê que não faz por amor e a dor vem e vai e volta e nada abrandará o já vivido quem sabe de outra experiência? quem saberá do que virá? Ou talvez do que se foi e você plantando girassóis e alfazemas nem lembra de coisas da horta na casa grande o pai permanece na ponta mesa e a mãe lá submissa e os mocambos trazendo a comida e a escravidão e tudo permanecerá assim e não importa o quê ou o quê será pois nada será diferente de ontem nem de hoje e nem de amanhã a vida segue domando os homens e as mulheres feito cavalos loucos sem pasto para pastar o grande pasto da vida está lá à espera de cada um mas não sabemos pegar o rumo de casa e de voltar e de saber dos lances que foram pois talvez nem tenham sido nas canções, nos cafés da manhã nas noites ouvindo o rádio e vendo a novela na televisão a vida segue e sempre seguirá, agora, por entre algoritmos, telas virtuais e pessoas existentes só na memória dor, lembranças e memórias que jamais sairão do quartinho fechado lá no sótão da casa e todos perdidos para sempre a casa a casa voltar para casa.

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Gilberto Motta, é escritor, jornalista e sem teclado para escrever com pontos, parágrafos, métricas e sinais de escrita. Vive na Guarda do Embaú-SC.
*Foto Tasso Scherer

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