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Panorama Político, por João Zisman

Economia e Metrô entram no radar da campanha

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João Zisman - Foto de Arquivo

A semana começa com a campanha eleitoral entrando numa fase mais exigente. O horário eleitoral já está no ar, começam as sabatinas com candidatos ao Governo do Distrito Federal, o setor produtivo abre uma rodada própria de conversas e amanhã haverá debate entre os principais concorrentes ao Palácio do Buriti. Depois de semanas dominadas por pesquisas, alianças, registros e decisões judiciais, a disputa passa a oferecer ao eleitor mais oportunidades de comparação direta.

É uma mudança importante porque reduz, ao menos parcialmente, o controle das campanhas sobre a própria narrativa. Na propaganda eleitoral, cada candidato escolhe enquadramento, texto, imagens e edição. Em entrevistas e debates, precisa administrar perguntas, adversários e situações imprevistas. Para candidaturas com poucos segundos de televisão, essa exposição pode ainda compensar parte da enorme diferença de tempo existente no horário eleitoral.

O Jornal de Brasília abre nesta segunda-feira uma série de sabatinas digitais com Ricardo Cappelli. Celina Leão participa amanhã e José Roberto Arruda na quarta-feira. Paralelamente, entidades empresariais iniciam o ciclo Diálogos com o Setor Produtivo, reunindo candidatos em torno de temas como segurança, saúde, infraestrutura, educação, qualificação profissional e ambiente de negócios.

O interesse desse encontro estará menos na fotografia com dirigentes empresariais e mais na capacidade das entidades de arrancar compromissos objetivos. Falar em emprego, empreendedorismo e desenvolvimento é relativamente simples. Mais difícil será explicar como as candidaturas pretendem lidar com infraestrutura, burocracia, formação profissional, regularização, tributação e previsibilidade para quem investe no Distrito Federal.

Na terça, o debate promovido pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília reúne Celina Leão, José Roberto Arruda, Leandro Grass, Ricardo Cappelli, Paula Belmonte e Kiko Caputo. O encontro tende a funcionar como primeiro teste desta nova etapa da disputa. Mais do que definir vencedor ou perdedor em uma noite, poderá revelar a estratégia escolhida por cada candidatura e o grau de risco que seus respectivos comandos estão dispostos a assumir.

Fora da campanha, o problema mais imediato é a greve do Metrô-DF, prevista para começar nesta terça-feira, 1º de setembro, por tempo indeterminado. Até o início desta manhã não havia anúncio público de acordo capaz de suspender a paralisação. O Metrô sustenta que as negociações permanecem abertas e considera o movimento prematuro. A empresa também informa que o processo para autorização de novo concurso público tramita na Secretaria de Economia.

Os trabalhadores apontam falta de pessoal, sobrecarga e questões relacionadas ao acordo coletivo. O último concurso da companhia ocorreu em 2013.

A segunda-feira, portanto, funciona como limite prático para uma solução negociada. Se não houver composição, decisão judicial ou recuo da categoria, a discussão deixa de permanecer restrita à relação trabalhista e alcança diretamente milhares de usuários a partir de terça-feira.

Há ainda um efeito político adicional. Caso a greve efetivamente comece, o transporte público entrará naturalmente no debate eleitoral da noite de terça-feira, colocando o governo na defensiva e oferecendo aos adversários um problema concreto para explorar.

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