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TariFlávio

Efeitos colaterais começam a encher de votos o alforje de Lula

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Autor/Imagem:
Mathuzalém Júnior - Foto de Arquivo

Forjado nas mentiras, nas fraudes e nas simulações do pai ex-presidente, o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não passa de um embuste, de propaganda enganosa. Para mim e para milhares de milhões de brasileiros, tudo que ele faz, diz, propõe e apresenta é a própria comédia sem graça e com claque contratada exclusivamente para aplaudir suas pantomimas, seus fingimentos. Adaptado do folhetim mexicano da família mentirosa, particularmente do ora presidenciável, o roteiro de Donald Trump contra o Brasil dificilmente dará o Ibope desejado pela extrema-direita.

Peça de ficção encomendada para esvaziar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, o novo tarifaço imposto pelo padrinho maluquete do doidivanas tariFlávio só é apoiado, além do clã, pelos bilionários da Faria Lima e pelos ricaços da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Vergonhosa e “patrioticamente”, esses senhores feudais, os quais continuam vendo o Brasil como capitania hereditária e, portanto, não está nem aí para as mazelas do país, culpam Lula pela sobretaxa de 25% às exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Eles falam em condução técnica e pragmatismo, mas são incapazes de imaginar as consequências da decisão do governo norte-americano para os bons empresários e, sobretudo, para a população brasileira. São os tais que torcem para a nação acabar em melado e eles lambuzados. Disposto a não se curvar às tramoias de Trump e às maracutaias do clã Bolsonaro, Lula se mantém firme, altivo, cada vez mais cheio de boas intenções, de muitas novas propostas, de nenhum autoritarismo, muitos votos no alforje lulista e nada de golpe contra a nação e contra o povo.

Tudo encenação do esquema Trump com a máfia da extrema-direita. Porta-voz de Flávio Bolsonaro, o secretário de Estado Marco Rubio não se preocupou em mentir ao afirmar que o governo brasileiro não negociou. Ele esquece que estão registradas as mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e telefônicas em 2025. Conforme o Itamaraty, somente com Rubio e Jamieson Greer, representante de comércio da Casa Branca, foram 11 encontros. Sem provas ou dados, eles afirmam que o Brasil causa prejuízos ao comércio dos EUA e que o PIX é prejudicial aos cartões de crédito com bandeira americana. Tudo mentira chula e absolutamente desprovida de veracidade.

Ou seja, se houve má-fé, ela não partiu do presidente do Brasil sério, soberano e varonil. Ego por ego, quem tem mais? Lula, Trump, Flávio Bolsonaro ou os bolsonaristas do Congresso, da Faria Lima e da Fiesp? Se o tariFlávio não é nada, para a maioria dos 160 milhões de eleitores brasileiro ele representava a pedra que faltava para o xeque-mate no primogênito de Jair Messias. Certamente o sonho americano de emparedamento de Lula, o desejo sórdido dos mequetrefes senadores que apostam em pautas-bombas para enfraquecer o governo e a carta sem pavio de Jair para o povo terão muitos efeitos, todos colaterais.

As últimas pesquisas de intenção de votos são a prova de que eles já começaram. Isso porque nem mesmo os postes da Avenida Paulista, da orla de Copacabana e da Esplanada dos Ministérios têm dúvida de que Trump e Rubio atacam o Brasil e o Pix para tentar eleger o insosso, inodoro, insípido, incolor e intragável Flávio Bolsonaro. Mais uma vez, o tiro saiu pela culatra. Obviamente que os estilhaços prejudicarão a economia nacional. Entretanto, a pólvora seca atingiu o peito, a alma e os votos do amigo dos inimigos do Brasil. Pública e notoriamente, bateu o desespero na trupe bolsonarista. Nada de anormal. Estudos neurocientíficos comprovam que um pão tem mais miolo do que quem acredita nos Bozos brasileiro e norte-americano. Alguém duvida?

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Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978

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