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Urnas renovadas

Eleitor decidirá rumos do Brasil até 2030

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

Nesse vai e vem da vida, o melhor caminho é aquele que a gente escolhe quando decide acumular conhecimentos, manter os velhos e novos amigos e, principalmente, eternizar as boas lembranças. No período menos nobre de minha infância, o mundo se dividia em pessoas aleitadas e não aleitadas. No Brasil, a divisão já era entre adestrados politicamente e livres para pensar e votar conforme a consciência. Daqui a exatos 44 dias, o povo voltará a ser chamado para se manifestar nas eleições gerais.

Na manhã do dia 4 de outubro, provavelmente teremos condições de definir de que lado está a maioria da população e que Brasil teremos até pelo menos 2030. Nesta data, as milhares de urnas eletrônicas espalhadas pelos rincões das cinco regiões do país serão zeradas e começarão a receber votos para presidente e vice-presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Até o fim da tarde do domingo que ainda não pode ser definido como o dia da civilidade política, os cerca de 160 milhões de eleitores farão seis escolhas na maquininha de votar genuinamente nacional.

Apesar dos rompantes ideológicos, impatrióticos e criminosos dos mesmos contra as urnas, a Corte Eleitoral não se curvou àquela família que transformou as críticas ao sistema eleitoral informatizado em mentira orgânica. Os demais detratores do processo brasileiro, entre eles Donald Trump e Marco Rubio, supostas eminências pardas dos Estados Unidos, também tiveram de engolir o choro. O fato é que, lançadas ao mar revolto da política brasileira em 1996, as urnas eletrônicas se profissionalizaram e se consolidaram como símbolo da democracia.

Mesmo tendo nascida pronta, a máquina que converte homens e mulheres ambiciosos em excelência precisa estar sempre acompanhando as exigências tecnológicas e eleitorais. Ou seja, há necessidade quase diária de renovação tecnológica. As urnas eletrônicas de 2026 contarão com algumas mudanças, todas com o objetivo de gerar facilidades para o eleitor em dos mais importantes da vida cidadã. Com novos tipos e tamanhos de letra adaptados às máquinas, a primeira correção facilitará as pessoas com deficiência visual.

A partir desta eleição, a Justiça Eleitoral utilizará nos textos exibidos pela urna a fonte Atkinson Hyper Legible, desenvolvida pelo Braille Institute, organização especializada em acessibilidade para deficientes visuais. O desenho das letras privilegia contraste, espaçamento e definição dos caracteres, características que favorecem a leitura e ajudam a explicar a percepção positiva do usuário.

Além da nova fonte tipográfica voltada à legibilidade, as novas urnas passam a contar com telas de votação renovadas e uma barra de progresso, que permitirá ao eleitor acompanhar, em tempo real, o andamento da votação. Na prática, a inclusão de uma barra fixa na parte superior da tela da urna servirá como indicador visual das etapas da votação, mostrando ao eleitor quais cargos já receberam voto e quais ainda serão apresentados. Também foi ampliada a participação de intérpretes de Libras em diferentes etapas da interação com a máquina.

Inspiradas em propostas elaboradas por alunos da Universidade de São Paulo, as mudanças anunciadas para 2026 garantirão ao eleitorado brasileiros, além das consolidadas segurança e confiabilidade das urnas, melhores condições durante a votação, especialmente para pessoas idosas, com baixa visão e com menor familiaridade com tecnologias digitais. Não custa lembrar que, nas eleições de 2026, a sequência de votação é de deputado federal, deputado estadual/distrital, senador (primeira vaga), senador (segunda vaga), governador e presidente da República.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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