Curta nossa página


Destino implacável

Eleitor do mito vai demorar para ter autoestima e cidadania valorizada

Publicado

Autor/Imagem:
Arimathéia Martins - Foto Reprodução das Redes Sociais

Estou em alfa desde a queda livre de um cidadão que, após ameaçar explodir quartéis e espaços populares, se apresentou ao distinto público brasileiro como salvador de uma pátria que ele nunca levou a sério. Do baixíssimo clero, mas com um poder de destruição acima da média da mediocridade do Parlamento brasileiro, pelo menos garantiu, por antecipação, o título de pior presidente que o Brasil já teve desde a Proclamação da República, em 1889. Com seu visceral apego ao caos e ao golpismo violento, iniciou a trajetória presidencial como tenente (capitão no soldo).

Todavia, graças ao destino sério e implacável, ainda não está afastada a possibilidade de o ex-chefe supremo das Forças Armadas ser rebaixado à condição de soldado raso. Talvez nem isso, pois, no atual uniforme, não cabem divisas, distintivos ou estrelas. E, ao que parece, o presente do capitão encalacrado está logo ali, mas o futuro se escafedeu. A quebra de seus sigilos emocionais e físicos foi reveladora, do tipo cada checagem um flash. Aliás, como diz a gíria, a derrubada dos segredos pessoais do casal das arábias virou ouro. Hoje, pelas mesmas vias que ele usou contra os adversários, o mundo inteiro acompanha seu ocaso.

Conspirador emérito contra a vida do povo brasileiro, em especial daqueles com os quais não cerrou fileiras, o Rolando Lero do Cerrado levou uma fieira de homens “íntegros” e “probos” para a orgia econômico-financeira em que se transformou o governo outrora conhecido como “terrivelmente honesto”. Além da instituição Forças Armadas, foram para o buraco negro generais da ativa e da reserva, coronéis da PMDF, parlamentares novos e antigos, empresários mal-acostumados de setores diversos e advogados que só apareceram no cenário do Judiciário como mantenedores de marginais e recompradores de relógios que não eram seus e nem de quem ordenou a recompra.

Político antigo, mas de atuação pífia, em 27 anos de mandato não conseguiu aprovar um projeto que prestasse. Portanto, irresponsáveis e estultos foram os brasileiros que apostaram nele e acreditaram na facada milagrosa de 2018. Por conta desses, os demais ainda levarão tempo para recuperar a autoestima e os valores de cidadania perdidos. Pior será resgatar o volumoso montante de recursos públicos que foi parar no ralo administrado pelos espertalhões. Tudo passa, tudo muda e ele também passou. No entanto, mesmo que estejamos experimentando o fim de uma odisseia que já começou fora do tom, é bom que saibamos que, entre a alegria plena e a felicidade geral da nação, há um mar revolto.

Diria que revolto, mas ainda navegável. Otimista por definição e cristão por devoção, reitero que não me faz bem a desgraça alheia. Nem mesmo daquele que, em plena pandemia, negou a ciência, fez galhofa com os que manifestamente se contaminaram com o vírus da Covid e contribuiu diretamente para a morte de mais de 700 mil brasileiros. Por essa e outras razões de somenos importância, certamente não estamos conseguindo dormir o sono dos justos: ele na prisão e eu com medo de perder a comemoração.

Para não correr qualquer tipo de risco, desde já autorizo amigos, inimigos e afins a me ligarem de manhã, de tarde, de noite ou de madrugada para que dividam comigo detalhes do glorioso resultado das eleições de outubro, cujas urnas deverão representar o epílogo político da família do capitão. Quanto àqueles que permanecem com o roscofe na seringa, tiveram as emendas suspensas e não conseguem mais receber PIX para uma lauta sobrevivência, as sirenes das ambulâncias do Samu devem ser confundidas com as da Polícia Federal e soarem como bombas de efeito demorado.

Publicidade
Publicidade

Copyright ® 1999-2026 Notibras. Nosso conteúdo jornalístico é complementado pelos serviços da Agência Brasil, Agência Brasília, Agência Distrital, Agência UnB, assessorias de imprensa e colaboradores independentes.