Outubro vem aí
Eleitor eterniza democracia ou país capitula para o amadorismo político
Publicado
em
Cumpridos os requisitos básicos da Constituição Federal, qualquer brasileiro nato pode ser candidato à Presidência da República. Até mesmo os postes sem luz própria têm o direito de postular o cargo político mais alto do país. Ao contrário do que imaginam alguns eleitores (as), o interessado não precisa ser bonitinho, riquinho, remediado, jovem, tampouco de família interessada exclusivamente no poder. As exigências básicas são entender do riscado, ter conhecimento de causa, boas intenções, responsabilidade, senso democrático, tolerância e, principalmente, ser informado que a nação não é o quintal de sua casa.
Embora a maioria do eleitorado sonhe em eleger alguém acima de qualquer suspeita, isto é, com honestidade reconhecida em cartório probo e com diploma assinado pelo papa Bento XVI, sabemos todos que, embora obrigatório, esse imperativo é pretensioso e proporcional ao que um brasileiro pensa do outro. Em outras palavras, ainda que seja uma premissa valorosa, a condição talvez requeira o renascimento de todos os 213 milhões de habitantes do planeta Brasil. De nada adiantará sobrar um, pois certamente os vícios de hoje serão mantidos.
Apesar desse insistente atributo ser impertinente para este século, vivemos uma quadra presidencial de paz, harmonia, crescimento e, o que é mais relevante, sem preocupações golpistas. Portanto, que chegue logo a eleição de outubro, de modo que possamos perenizar os sonhos democráticos e verdadeiramente patrióticos ou, como espera a minoria, que capitulemos diante do Estado Democrático de Direito, do ódio, da malquerença, da hostilidade, do amadorismo administrativo, do desrespeito internacional e da bajulação explícita a líderes internacionais com interesses reconhecidamente tirânicos.
Sem delongas, é obrigação de um candidato à Presidência da República ter ideias progressistas e renovadoras e pelo menos meia dúzia de propostas capazes de manter o país na lista das nações governáveis, promissoras e viáveis econômica e socialmente. Para isso, é fundamental que o pretendente se apresente ao eleitorado de centro, de direita e de esquerda como um cidadão de bem e pronto para governar para todos. O resto o povo percebe com o tempo. Foi o que ocorreu com o antecessor de Luiz Inácio, hoje “professor político” do aspirante da extrema-direita ao Palácio do Planalto.
Como disse, desde que trabalhe pelo e para o povo, qualquer brasileiro pode ser presidente da República. Não basta ao postulante sem atestado de santo fazer campanha xingando os diferentes, esculhambando os partidos que não o apoiam e denominando de ladrão seu principal adversário. Antes de se imaginar como o novo dono do pedaço, é preciso vocação para cuidar de uma nação e de pessoas. Individualizar a gestão, assumir o comando do país como se não houvesse amanhã e tentar, no grito ou na violência, silenciar antagônicos, bloquear a luta social e querer vender bens alheios não podem ser considerados legados de pai para filho. Pelo contrário.
Eis a razão pela qual eu e milhões de brasileiros com consciência e sabedoria plenas preferimos um presidente com defeitos crônicos, mas de reconhecidas e claras virtudes, do que uma turma que não sabe governar, mas que está devidamente preparada para golpear. O que digo é mentira? Aos que divergirem sugiro que me mostrem um único fato político ou administrativo favorável ao candidato em questão. Guardadas as devidas dúvidas, é óbvio que Lula governa melhor do que Jair Bolsonaro governou. Aliás, ele governou? À vontade por conta de meu passado de centro-esquerda, torço para que o dia 3 de outubro seja a data em que a esperança consolide seu endereço.
………
Mathuzalém Júnior é jornalista profissional desde 1978