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Boas escolhas

Eleitor pode evitar que o ruim fique pior

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Autor/Imagem:
Misael Igreja - Foto de Arquivo

No Brasil entremeado de patriotas, de supostos patriotas e de patriotas de meio de esquina, nada está tão ruim que não possa piorar. Normalmente associada às Leis de Murphy, a frase curta, de autoria desconhecida e que expressa uma verdade geral ou pensamento filosófico profundo poderia ser acrescida da expressão terrivelmente desagradável quando o tema a ser tratado é a política brasileira. Para início de conversa, a parte do eleitorado que elege dezenas de vigaristas travestidos de deputados e senadores precisa deixar de ser romântica, amadora e sem consciência eleitoral.

Também denominada de aforismo, a locução inicial, depois de indicar que a acomodação em um cenário ruim pode levar a um agravamento sem precedente, sugere a necessidade de ações urgentes. Em suma, ela serve como um alerta pessimista ou realista para o futuro. Na prática, tenta fixar na mente dos quase 160 milhões de eleitores a máxima de que a mudança política só ocorrerá se o povo brasileiro estiver consciente de que é o seu voto que faz a diferença.

Quando o cidadão leva a sério o exercício cívico da escolha, o voto facilmente se sobrepõe àqueles que comparecem às urnas movidos pela obrigação ou, o que é pior, por interesses particulares. Por mais que muitos de nós fujam da indispensabilidade da consciência no ato de votar, é fundamental que saibamos que ela representa um passo certeiro na direção do amanhã que desejamos ter. Viveremos a mesmice política que estamos vivendo enquanto não nos convencermos de que políticos ruins não caem do céu, tampouco brotam do chão. Nós os elegemos.

Mais importante do que qualquer manifestação agressiva ou golpista contra os que trabalharam – e trabalham – para evitar que o ruim fique pior é lutar para reciclar o lixo da elite política. É esse entulho que precisa ser removido, sob pena de a população se manter eternamente como refugo, resto, resíduo ou consequência dos maus políticos. Votar em neófitos políticos apenas para o outro não ganhar é a “consciência” de quem avalia a política partidária como uma briga de galos cegos. Infelizmente, é o que alguns vêm tentando impor aos que esquecem que o que não é feito com lisura acaba se convertendo em conchavo político.

Escolher bem um presidente, governador, prefeito, deputado, senador ou vereador não é um jogo de perde e ganha, mas uma reflexão que, analisada sem a devida prudência, pode transformar esperanças em cicatrizes profundas. Falando em reflexão, não há como esquecer que a vida é a soma de nossas escolhas. Por isso, elas não podem ser somente intuitivas. Seguindo os ensinamentos do escritor norte-americano Stephen Covey, eu sou quem sou hoje por causa das escolhas que fiz ontem.

Portanto, buscando usar o fundo do poço apenas como metáfora, para fim de conversa aquela parte do eleitorado que elege qualquer um precisa entender que se omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais desejam. Eu penso num país soberano, respeitado, menos ruim e muito mais igualitário. Daí minha necessidade de sempre achar que, melhor do que viver para nada, é lutar por algo. Sobre a próxima eleição presidencial, o que posso dizer aos brasileiros que pretendem votar com o fígado é simples e shakespeariano: “Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito”. Com certeza, desse modo pelo menos tentarei evitar que o que está ruim fique pior.

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Misael Igreja é analista de Notibras para assuntos políticos, econômicos e sociais

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