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Consequências do voto

Eleitor precisa aprender que político bom é o que diz e faz

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Autor/Imagem:
Armando Cardoso* - Foto de Arquivo/Marcelo Camargo -ABr

Em política, não há meio termo. O conceito é simples, verdadeiro e inquestionavelmente atual. A política pode ser o ato nobre de prezar pelos interesses plurais da sociedade. O problema é que ela também pode ser traduzida pela infame arte de priorizar interesses ou anseios próprios. Historicamente, o eleitor é o maior patrimônio de um parlamentar. Por isso, a recomendação de todos que trabalham incansavelmente pela sua região ou pelo país é para que, no dia sagrado da escolha de seus representantes, o cidadão brasileiro se envolva exclusivamente com a consciência e se defina por quem tem resultados, não apenas ideologia.

Como principal arma dos eleitores conscientes, o voto deve representar a liberdade, a igualdade e, sobretudo, a democracia. Qualquer caminho fora disso e do voto secreto na urna eletrônica terá consequências claras, desanimadoras e, provavelmente, desastrosas. Não me assusto com a política, pois desde minha entronização na vida jornalística, conheci personalidades com papéis ativos e relevantes na construção de uma coletividade mais justa e feliz. Outros desapareceram na poeira do individualismo, particularmente o do poder espúrio. Desde que o mundo é mundo, política não faz milagres. Na mesma proporção dos assombros dos céus, não há políticos santos.

Uns até tentam, mas são engolidos pela maioria que prefere seguir eventuais diabinhos. Entretanto, é fundamental que os homens de poucas palavras sejam melhor avaliados. Hoje, fala-se muito e pouco se faz. De modo a não cometer erros de um passado bem recente, precisamos cada vez mais falar sobre política. E para fazê-lo não há necessidade de ser governante ou encarnar uma figura de uma autoridade qualquer. Basta prezar e atuar pelo bem do povo. Quase na metade da terceira década de um novo milênio, penso ter chegado a hora da revisão dos valores dos homens públicos, os quais, muito mais do que o clamor pelo poder, deveriam ser obrigados a trabalhar por mais justiça, verdade e decisões de alcance geral.

Afinal, a verdadeira política é aquela que se importa com todas as formas de vida. Ainda há muita coisa por fazer, principalmente na tensa relação Executivo-Legislativo. Independentemente da cartilha pela qual reze, o povo unido tem a obrigação de distensionar, desativando urgentemente o modo ódio de classes. Presidente da República, senadores e deputados têm o dever de lutar contra o processo de desconstrução de ideias. Como inspiração de todo político consciente e foco prioritário, o povo é o maior objetivo dos homens públicos. Usar os plenários da Câmara ou do Senado como ringue imaginário para uma contenda surreal é o mesmo que transformar o mandato em reality do tipo topa tudo por dinheiro.

Políticos têm de ser adversários, jamais inimigos. Como estabelece o Aurélio, a função dos legisladores é legislar. Façam isso. Quem quiser criar governos paralelos e se imaginar desenhando, de forma atabalhoada, os destinos de um país que não soube gerir, que tenha um pouco mais de paciência e aguarde a eleição de 2026 ou a de 2030. Aquele que foi sem nunca ter sido talvez perca de vez a chance de se recuperar do fracasso. Até lá, a tarefa dos eleitos é cumprir com a promessa de promover políticas públicas de alcance geral, inclusive daqueles que discordam das propostas de quem foi eleito em 2022 pelo voto soberano do povo brasileiro. O peso do voto é um. Já o peso do voto inteligente pode alcançar milhões. O problema maior são as consequências do voto impensado. Votar errado é sinônimo de levar o país ao despenhadeiro. Assistir passivamente aos erros de quem elegeu é torcer para que todos acabem no mesmo buraco.

*Armando Cardoso é presidente do Conselho Editorial de Notibras

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