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Candidata solidária

Elizalda leva história de superação para as urnas

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Autor/Imagem:
Pimenta Filho,- Acervo Pessoal

Elizalda Barbosa Dias saiu da roça carregando uma bagagem que não cabia em mala alguma. Levava as raízes do interior do Piauí, a formação de uma família simples e três valores que, segundo ela, nunca abandonou pelo caminho: família, fé cristã e trabalho. Décadas depois, já sargento da Polícia Militar do Distrito Federal, formada pela Universidade de Brasília e com experiência na área de educação, decidiu enfrentar as urnas como um novo desafio.

A candidatura de Elizalda, pelo Solidariedade, nasce de uma trajetória marcada menos por atalhos e mais por degraus. Antes de Brasília, ela viveu durante dois anos em São Paulo. Depois mudou-se para a capital federal, onde já moravam seus irmãos, em busca das oportunidades que eram escassas na terra de origem.

Brasília não lhe ofereceu tapete vermelho, e Elizalda começou trabalhando como empregada doméstica. Passou depois por uma loja de conserto de equipamentos eletrônicos, onde atuou como recepcionista, e também trabalhou em lanchonete.

Havia, porém, um projeto que acompanhava aquela rotina: passar em concurso público e, depois, entrar na universidade. Foi exatamente nessa ordem que as coisas começaram a acontecer.

Do trabalho doméstico à farda
O primeiro concurso veio para os Correios. Elizalda foi aprovada e permaneceu pouco tempo na empresa. Continuou estudando até conseguir ingressar na Polícia Militar do Distrito Federal.

A farda significava estabilidade profissional, mas não representava o fim dos estudos. Ela decidiu continuar a formação acadêmica e conquistou uma vaga na Universidade de Brasília, onde se graduou em Letras, com língua espanhola. Era mais uma fronteira vencida pela mulher que havia chegado a Brasília trabalhando em casa de família.

Sua trajetória profissional acabou levando-a também para dentro da escola. Atualmente, Elizalda trabalha em uma unidade cívico-militar. A convivência diária com alunos, professores, servidores e famílias, afirma, permitiu que conhecesse de perto problemas que ultrapassam os muros escolares.

A experiência despertou um interesse ainda maior pela educação pública. Elizalda prestou novo concurso, desta vez para a Secretaria de Educação, e foi aprovada. Polícia, educação e serviço público passaram, assim, a formar os três principais pilares de sua experiência profissional.

Ao contar sua história, Elizalda faz questão de voltar ao começo. Não trata a origem humilde como obstáculo a esconder, mas como parte da identidade que pretende levar para a vida pública. “Vim da roça, conheci as dificuldades, mas nunca esqueci de onde vim”, resume.

É justamente essa experiência, argumenta, que a aproximou da ideia de disputar uma eleição. Para a sargento, conhecer as dificuldades enfrentadas por quem procura emprego, estuda para melhorar de vida ou depende dos serviços públicos ajuda a compreender o tamanho da distância que muitas vezes existe entre a população e aqueles que tomam decisões políticas.

Sua própria trajetória reúne algumas dessas experiências: migração, trabalho doméstico, empregos no setor privado, concurso público, segurança, universidade pública e educação.

“Minha trajetória me ensinou que ninguém deve ser definido pelo lugar de onde veio, mas pelos valores que carrega e pelo que está disposto a fazer para chegar onde deseja”, afirma.

Ingresso na política
A decisão de disputar as eleições de outubro, segundo Elizalda, surgiu depois de um convite. Ela diz que não respondeu imediatamente.

Antes de aceitar, avaliou o cenário político e aquilo que considera uma crescente perda de confiança da sociedade nos políticos e nas próprias instituições.

Foi então que chegou à conclusão de que reclamar de fora não seria suficiente. “Pensei que, se queremos mudanças, também precisamos estar dispostos a participar e fazer a nossa parte. Foi assim que decidi aceitar esse desafio”, relata.

Elizalda tenta, dessa maneira, transformar a própria biografia em credencial eleitoral. Apresenta-se como alguém que chega à disputa sem uma carreira construída nos gabinetes, mas com experiência acumulada em diferentes ambientes da sociedade brasiliense.

A segurança pública surge naturalmente como uma das áreas que conhece por dentro. A educação também ocupa lugar privilegiado em seu discurso, assim como a defesa de oportunidades para pessoas que, como ela no passado, precisam abrir caminho pelo estudo e pelo trabalho.

A candidata diz não acreditar em uma política sustentada apenas por promessas. Defende responsabilidade, transparência, honestidade e compromisso como fundamentos de sua atuação, caso conquiste o mandato.

“Entro na política com a experiência de quem conhece a realidade do cidadão, com disposição para ouvir, trabalhar e buscar soluções”, afirma. É um discurso que agora terá de enfrentar o teste mais difícil de qualquer candidatura que é convencer o eleitor.

Elizalda Barbosa Dias percorreu uma longa estrada até chegar à urna. Saiu do interior do Piauí, passou por São Paulo, chegou a Brasília, trabalhou como doméstica, atendente e recepcionista, tornou-se funcionária dos Correios, ingressou na Polícia Militar, atravessou os portões da UnB e chegou à sala de aula de uma escola cívico-militar.

Agora começa outro percurso. Desta vez, não haverá prova de concurso, gabarito ou banca examinadora. A avaliação será feita pelo eleitor. E a sargento que aprendeu desde cedo a disputar oportunidades terá de conquistar, um a um, os votos necessários para transformar sua história de vida em mandato.

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